SURTO DE EBOLA NO CONGO ULTRAPASSA 8 MIL CASOS E JÁ DEIXA QUASE 4 MIL MORTOS

República Democrática do Congo registra 8.067 casos confirmados e 3.901 mortes; epidemia causada pelo vírus Bundibugyo é considerada a maior e mais letal da história do país.

Publicado em 29 de setembro de 2026

A República Democrática do Congo ultrapassou pela primeira vez a marca de 8 mil casos confirmados de Ebola durante o atual surto da doença. Segundo o relatório mais recente do Instituto Nacional de Saúde Pública do país, divulgado nesta segunda-feira (28), são 8.067 casos confirmados e 3.901 mortes.

Os números colocam o atual surto como o maior e mais letal já registrado na República Democrática do Congo, superando a epidemia ocorrida entre 2018 e 2020, que havia sido, até então, a mais grave da história do país.

A taxa de letalidade calculada a partir dos dados mais recentes chega a aproximadamente 48,4%, o que significa que quase metade dos casos confirmados resultou em morte. O painel epidemiológico mantido pelas instituições de saúde congolesas registra ainda 2.070 pessoas recuperadas.

VÍRUS BUNDIBUGYO

O surto é provocado pelo vírus Bundibugyo, uma espécie do Ebola diferente daquela associada a algumas das maiores epidemias anteriores. A Organização Mundial da Saúde (OMS) afirma que não existem atualmente vacina ou tratamento específico aprovados contra essa espécie, o que torna a identificação rápida dos casos, o isolamento, o atendimento clínico e o rastreamento de contatos fundamentais para tentar interromper a transmissão.

A epidemia começou em maio de 2026 e apresentou uma rápida expansão territorial. Em setembro, a OMS informou que o vírus já havia alcançado 63 zonas de saúde em sete das 26 províncias da República Democrática do Congo. Entre as áreas atingidas estão Ituri, Kivu do Norte, Kivu do Sul, Haut-Uélé, Bas-Uélé, Tshopo e, mais recentemente, Sud-Ubangi.

TRANSMISSÃO CONTINUA E PREOCUPA AUTORIDADES

Apesar dos esforços para ampliar a vigilância epidemiológica e a capacidade de diagnóstico, as autoridades enfrentam dificuldades para controlar a transmissão. Parte do aumento registrado nos números também está relacionada à ampliação da testagem, da vigilância e à atualização de dados anteriormente não contabilizados.

A OMS aponta ainda que a insegurança, os deslocamentos populacionais e as dificuldades de acesso aos serviços de saúde prejudicam as ações de resposta. A circulação de pessoas entre diferentes regiões e através de fronteiras também aumenta o risco de disseminação para outros países.

Outro problema é a resistência de parte da população às medidas de controle. Informações falsas e a desconfiança em relação às autoridades e aos serviços de saúde têm dificultado o trabalho das equipes que atuam na identificação e no tratamento dos pacientes.

PROFISSIONAIS DE SAÚDE TAMBÉM SÃO AFETADOS

A violência e a desinformação passaram a representar um obstáculo adicional para o combate à doença. Relatos recentes apontam ataques contra unidades e equipes de saúde, comprometendo atividades como rastreamento de contatos, atendimento médico e vigilância epidemiológica.

Nesta segunda-feira (28), também foi divulgado que um político local morreu após ser agredido depois de defender publicamente medidas de prevenção contra o Ebola durante uma participação em uma rádio na cidade de Butembo. O caso ocorre em meio ao aumento da tensão e da desconfiança em comunidades afetadas pelo surto.

SEGUNDO MAIOR SURTO DA HISTÓRIA

Em escala mundial, o atual surto na República Democrática do Congo já é considerado o segundo maior registrado, ficando atrás apenas da epidemia de Ebola que atingiu Guiné, Libéria e Serra Leoa entre 2014 e 2016.

Naquele episódio, mais de 28,6 mil pessoas foram infectadas e mais de 11 mil morreram.

A situação congolesa, portanto, permanece como uma das principais emergências de saúde pública em andamento no mundo, com autoridades nacionais e organizações internacionais concentradas em ampliar a detecção de casos, garantir atendimento e impedir que a transmissão continue avançando para novas áreas.

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