TCU APONTA R$ 654 MILHÕES EM IRREGULARIDADES NO SEGURO-DEFESO

Auditoria identificou 101.248 benefícios com indícios de pagamentos indevidos e falhas nos mecanismos de fiscalização do programa.

Publicado em 15 de outubro de 2026

O Tribunal de Contas da União (TCU) identificou indícios de irregularidades em 101.248 benefícios do Seguro-Defeso pagos em 2024. Segundo a auditoria, os casos representam um potencial de R$ 654 milhões em pagamentos indevidos.

O levantamento apontou falhas nos mecanismos de controle, inconsistências cadastrais e possíveis descumprimentos dos critérios exigidos para a concessão do benefício. O objetivo do programa é garantir renda aos pescadores artesanais durante o período em que a pesca é proibida para preservar a reprodução das espécies.

Falhas nos cadastros e nos critérios de concessão

Entre os problemas identificados, 56.827 benefícios apresentaram inconsistências relacionadas ao CPF, com impacto potencial de R$ 401 milhões. Outros 44.421 casos envolveram indícios de descumprimento das regras de elegibilidade, correspondendo a aproximadamente R$ 253 milhões.

As ocorrências incluem possíveis acumulações proibidas de benefícios e vínculos empregatícios formais ativos.

O tribunal ressalta a necessidade de apuração dos casos. A existência de indícios não significa que todas as irregularidades estejam comprovadas ou que todos os valores apontados sejam necessariamente indevidos.

Número de beneficiários chama a atenção

A auditoria também identificou uma diferença expressiva entre o número de pessoas que receberam o auxílio e a estimativa de pescadores artesanais economicamente ativos no país.

Em 2024, o programa registrou aproximadamente 1,12 milhão de beneficiários, enquanto dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), do IBGE, apontaram cerca de 580 mil pescadores artesanais economicamente ativos.

A discrepância levantou dúvidas sobre a precisão dos cadastros e a capacidade de fiscalização do programa.

Atrasos nos pagamentos

Além das suspeitas de irregularidades, o TCU identificou atrasos na concessão do benefício. Em parte dos casos, os pagamentos foram realizados somente depois do encerramento do período de defeso.

A demora pode comprometer a finalidade do auxílio, já que os pescadores dependem dessa renda durante os meses em que ficam impedidos de exercer a atividade.

TCU cobra medidas

O tribunal determinou providências para aprimorar os mecanismos de controle e reduzir o risco de pagamentos indevidos. Entre as medidas estão a revisão dos benefícios suspeitos e o aperfeiçoamento do cruzamento de dados entre órgãos públicos.

A fiscalização busca garantir que os recursos sejam destinados aos trabalhadores que realmente atendem aos requisitos legais, sem prejudicar os pescadores artesanais que dependem legitimamente do auxílio.

O caso evidencia o desafio de combater possíveis irregularidades no uso do dinheiro público e, ao mesmo tempo, assegurar que o benefício cumpra sua função social e ambiental.

 

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