O futuro da representação de Araruama na Alerj, portanto, depende dos próximos desdobramentos judiciais.

Publicado em 15 de outubro de 2026
Recursos de candidatos que tiveram registros indeferidos seguem em análise no TSE. Paulo Melo recebeu mais de 33 mil votos, enquanto Carlos Russo foi eleito pelo DC com 27.447; eventual mudança depende das decisões judiciais e do recálculo da distribuição das cadeiras.
Publicado em 15 de outubro de 2026
A composição da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) ainda pode sofrer alterações após as eleições de 2026. Processos envolvendo candidatos que tiveram os registros de candidatura indeferidos e continuam recorrendo à Justiça Eleitoral podem provocar uma nova totalização dos votos e modificar a distribuição das cadeiras no Legislativo fluminense.
A situação chama a atenção porque alguns desses candidatos receberam mais votos do que Carlos Russo (DC), eleito com 27.447 votos e apontado na relação atual como o deputado estadual eleito com a menor votação individual. Entre os nomes que podem influenciar o resultado estão o ex-deputado estadual Paulo Melo (União Brasil), João Drumond, Diego Alba, Renato Machado e Val Ceasa.
Apesar da diferença nas votações, a eventual alteração na composição da Alerj não é automática. O resultado dependerá do desfecho dos recursos, da situação jurídica dos votos recebidos pelos candidatos e dos efeitos que cada decisão poderá produzir sobre o cálculo eleitoral.
Julgamento de Paulo Melo é interrompido no TSE
Um dos principais casos é o de Paulo Melo, ex-deputado estadual que disputou uma vaga na Alerj pelo União Brasil. O candidato recebeu 33.546 votos, número superior aos 27.447 obtidos por Carlos Russo.
Na sessão virtual do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), realizada na segunda-feira, 12 de outubro, o julgamento do recurso de Paulo Melo contra o indeferimento de sua candidatura chegou a registrar quatro votos pela rejeição do pedido.
A análise, no entanto, foi interrompida após um pedido de destaque apresentado pela ministra Estela Aranha. Com isso, o processo deverá ser retomado em sessão presencial, ainda sem data definida.
A interrupção impede que o caso seja tratado como definitivamente encerrado com base no placar parcial. O julgamento precisará ser concluído para que se conheça o resultado do recurso e seus possíveis efeitos eleitorais.
Outros candidatos também podem influenciar a composição da Assembleia
Além de Paulo Melo, outros candidatos que enfrentam questões judiciais relacionadas aos registros de candidatura também tiveram votações superiores à de Carlos Russo.
Entre os nomes citados estão João Drumond, Diego Alba, Renato Machado e Val Ceasa. A situação de cada um precisa ser examinada individualmente, considerando o estágio do respectivo processo e a possibilidade de os votos serem computados ou desconsiderados no resultado definitivo.
Caso decisões judiciais modifiquem a situação dos votos dessas candidaturas, a Justiça Eleitoral poderá precisar realizar uma nova totalização. Esse procedimento pode afetar não apenas a posição de candidatos específicos, mas também a distribuição das vagas entre os partidos e as federações.
O sistema proporcional utilizado nas eleições para deputado estadual considera a votação partidária e os critérios legais para a ocupação das cadeiras. Por isso, uma alteração no conjunto de votos válidos pode produzir efeitos sobre o resultado geral, mesmo quando a decisão judicial envolve inicialmente apenas um candidato.
Carlos Russo pode perder a vaga?
A possibilidade de mudança na composição da Alerj foi apontada pelo especialista em pesquisas eleitorais Alex Garcia. Segundo ele, uma eventual recontagem pode alterar o cálculo da distribuição das vagas e colocar em risco a cadeira conquistada por Carlos Russo, do Democracia Cristã (DC).
A preocupação está relacionada ao fato de Russo ter sido eleito com 27.447 votos, enquanto candidatos que enfrentam pendências judiciais receberam votações maiores. Entretanto, a comparação direta entre os votos individuais não é suficiente para determinar quem ocupará uma cadeira na Assembleia.
A definição depende de como os votos serão classificados após as decisões judiciais e de como uma eventual nova totalização afetará os cálculos previstos na legislação eleitoral.
Assim, mesmo que um candidato tenha recebido mais votos individualmente do que Russo, isso não significa, por si só, que ele assumirá a vaga ou que o parlamentar do DC será retirado da lista de eleitos.
Como funciona uma eventual nova totalização?
Quando uma decisão judicial altera a situação de votos de uma eleição proporcional, a Justiça Eleitoral precisa avaliar se a mudança exige a revisão do resultado. Dependendo do caso, pode ser necessário recalcular os quocientes eleitoral e partidário, além de verificar a distribuição das cadeiras e a ordem dos candidatos habilitados a ocupá-las.
O impacto concreto varia conforme a decisão e as regras aplicáveis. A validação de votos pode modificar a votação considerada para determinado partido ou federação, enquanto a invalidação também pode produzir efeitos sobre o resultado anteriormente divulgado.
Por esse motivo, não é possível afirmar antecipadamente que uma eventual mudança beneficiará necessariamente Paulo Melo ou qualquer outro candidato que esteja recorrendo. Tampouco é possível concluir que Carlos Russo perderá o mandato ou deixará de assumir a cadeira apenas porque existem candidatos com maior votação individual aguardando decisões judiciais.
Representação de Araruama depende dos próximos desdobramentos
A situação tem importância para Araruama e para a Região dos Lagos, uma vez que Carlos Russo foi eleito deputado estadual pelo DC e sua permanência entre os eleitos depende da manutenção do resultado eleitoral e de eventuais alterações determinadas pela Justiça.
O próximo passo será acompanhar a retomada do julgamento de Paulo Melo no TSE e os demais processos relacionados às candidaturas questionadas. Até que haja decisões capazes de alterar oficialmente o resultado, qualquer previsão sobre a perda ou a manutenção da vaga deve ser tratada como hipótese.
O cenário permanece em aberto: a composição final da Alerj dependerá das decisões da Justiça Eleitoral e de seus reflexos sobre a totalização dos votos e a distribuição das cadeiras.

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