PF INDICIA EX-PRESIDENTE DO INSS E MAIS 40 INVESTIGADOS POR ESQUEMA EM BENEFÍCIOS

Relatório encaminhado ao STF aponta indiciamento de 48 pessoas por suspeita de corrupção, organização criminosa e fraudes envolvendo descontos irregulares em aposentadorias e pensões.

Publicado em 14 de julho de 2026

A Polícia Federal concluiu uma das principais etapas da investigação sobre o esquema de descontos indevidos em benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e indiciou 48 pessoas suspeitas de participação nas fraudes. O relatório final foi encaminhado ao Supremo Tribunal Federal (STF) e aponta a existência de uma organização que teria atuado para beneficiar entidades por meio da cobrança irregular de mensalidades associativas de aposentados e pensionistas.

Entre os indiciados estão o ex-presidente do INSS, Alessandro Stefanutto, o ex-procurador-geral da autarquia, Virgílio Antônio Ribeiro Filho, o ex-diretor de Benefícios, André Fidelis, e o empresário Antonio Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, apontado pelos investigadores como um dos principais operadores do esquema.

Investigação

Segundo a Polícia Federal, os investigados são suspeitos de envolvimento em crimes como corrupção ativa e passiva, organização criminosa, lavagem de dinheiro, falsidade ideológica e inserção de dados falsos em sistemas públicos.

As investigações indicam que milhares de aposentados e pensionistas tiveram valores descontados mensalmente de seus benefícios sem autorização. Os recursos eram destinados a associações e entidades conveniadas ao INSS, que, de acordo com a apuração, teriam obtido autorizações de forma fraudulenta ou sequer possuíam o consentimento dos beneficiários.

A fraude teria movimentado cifras bilionárias ao longo dos últimos anos, provocando prejuízos tanto aos segurados quanto à credibilidade do sistema previdenciário.

Relatório ao STF

O relatório da Polícia Federal foi encaminhado ao Supremo Tribunal Federal porque parte dos investigados possuía prerrogativa de foro durante o período investigado. Agora, caberá à Procuradoria-Geral da República (PGR) analisar o material e decidir se oferece denúncia contra os envolvidos.

Caso a denúncia seja aceita pela Justiça, os indiciados passarão à condição de réus e responderão formalmente ao processo criminal.

Operação

O esquema foi revelado durante uma ampla operação da Polícia Federal e da Controladoria-Geral da União (CGU), que cumpriu mandados de busca e apreensão e determinou o afastamento de servidores públicos suspeitos de participação nas irregularidades.

As investigações apontam que entidades utilizavam acordos de cooperação com o INSS para efetuar descontos automáticos diretamente na folha de pagamento de aposentados e pensionistas, muitas vezes sem autorização válida.

Próximos passos

Com a conclusão do inquérito policial, a expectativa é que a Procuradoria-Geral da República avalie as provas reunidas e decida sobre a apresentação de denúncia ao STF. Paralelamente, continuam as apurações para identificar outros possíveis envolvidos e dimensionar o total dos prejuízos causados aos cofres públicos e aos beneficiários da Previdência Social.

Os investigados terão direito à ampla defesa e ao contraditório durante todas as fases do processo. Até eventual condenação definitiva, todos são considerados inocentes, conforme estabelece a Constituição Federal.

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