Mudanças na Avenida Lúcio Meira fazem parte da reorganização do trânsito, mas largura abaixo da recomendada pelo Contran preocupa motoristas, ciclistas e moradores.

Publicado em 14 de julho de 2026
A nova ciclofaixa implantada na Avenida Lúcio Meira, conhecida como Reta, em Teresópolis, na Região Serrana do Rio de Janeiro, continua sendo alvo de críticas por parte de motoristas, ciclistas e moradores. As alterações fazem parte do projeto de reorganização do trânsito no principal corredor da cidade, mas a execução da obra tem gerado dúvidas quanto à segurança e à funcionalidade da nova estrutura.
Com a mudança, a ciclofaixa foi transferida para o lado oposto da avenida e passou a operar em mão dupla. A alteração teve como objetivo liberar espaço para a implantação de uma faixa exclusiva para ônibus no sentido Várzea–Alto, buscando melhorar a fluidez do transporte coletivo.
No entanto, um dos principais pontos de contestação está nas dimensões da nova ciclofaixa. De acordo com as recomendações do Conselho Nacional de Trânsito (Contran), uma ciclofaixa bidirecional deve possuir largura mínima de 2,40 metros para garantir a circulação segura dos ciclistas em ambos os sentidos. No trecho implantado na Avenida Lúcio Meira, a largura varia entre 1,70 e 1,80 metro, ficando abaixo do parâmetro técnico recomendado.
A redução do espaço disponível dificulta a ultrapassagem entre bicicletas e aumenta o risco de acidentes, especialmente em horários de maior movimento. Ciclistas relatam que, em alguns pontos, dois usuários trafegando em sentidos opostos precisam reduzir significativamente a velocidade para conseguir cruzar com segurança.
Motoristas também demonstram preocupação com a nova configuração viária. Segundo relatos, as mudanças exigiram adaptação imediata dos condutores e alteraram a dinâmica do trânsito em uma das avenidas mais movimentadas de Teresópolis. Alguns afirmam que a reorganização provocou congestionamentos em determinados horários e aumentou a necessidade de atenção nas conversões e acessos às vias transversais.
Moradores da região também questionam a falta de diálogo com a população antes da implantação do novo modelo. Para muitos, seria importante a realização de estudos mais amplos e de um período de testes antes da adoção definitiva das alterações.
Especialistas em mobilidade urbana destacam que a implantação de infraestrutura cicloviária é fundamental para incentivar o uso da bicicleta como meio de transporte sustentável. Entretanto, ressaltam que as obras devem seguir critérios técnicos para garantir conforto e segurança aos usuários, evitando conflitos entre ciclistas, pedestres e veículos.
Até o momento, a Prefeitura de Teresópolis mantém a nova configuração viária e acompanha o comportamento do trânsito após as mudanças. A expectativa é de que avaliações técnicas possam indicar a necessidade de ajustes na sinalização, na largura da ciclofaixa ou em outros pontos da intervenção, caso sejam identificados riscos à segurança viária.

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