GOVERNO ANALISA ELEVAR PARA 32% A MISTURA DE ETANOL NA GASOLINA

Medida será analisada nesta terça-feira e pode reduzir a dependência da gasolina importada diante da alta do petróleo no mercado internacional.

Publicado em 14 de julho de 2026

O governo federal deve decidir nesta terça-feira (14) sobre o aumento do percentual obrigatório de etanol anidro misturado à gasolina. A proposta, que será analisada durante reunião do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), prevê elevar a mistura dos atuais 30% para 32%.

A medida ganha força em meio ao novo cenário de instabilidade no mercado internacional de petróleo. A escalada das tensões no Oriente Médio, após o fim do cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã e o novo fechamento do Estreito de Ormuz, voltou a pressionar os preços do barril nos mercados globais.

O Estreito de Ormuz é considerado uma das principais rotas marítimas para o transporte de petróleo no mundo. Aproximadamente 20% de todo o petróleo consumido globalmente passa pela região. Qualquer interrupção no fluxo de navios provoca preocupação entre investidores e eleva os preços da commodity.

Objetivo é reduzir impacto da alta do petróleo

Caso seja aprovada, a ampliação da mistura obrigatória de etanol poderá diminuir a necessidade de importação de gasolina e reduzir a exposição do Brasil às oscilações do mercado internacional de combustíveis.

Além disso, o governo argumenta que o aumento da participação do biocombustível fortalece a produção nacional de etanol, impulsiona o setor sucroenergético e contribui para a redução das emissões de gases de efeito estufa.

O Brasil é um dos maiores produtores mundiais de etanol, especialmente a partir da cana-de-açúcar, o que permite ao país ampliar o uso do biocombustível sem comprometer o abastecimento interno.

Impacto para consumidores

Especialistas apontam que a mudança pode ajudar a conter reajustes mais expressivos da gasolina caso a alta do petróleo persista. No entanto, o efeito sobre os preços nas bombas dependerá da cotação do etanol, do comportamento do mercado internacional e da política de preços adotada pela Petrobras.

Também será necessário avaliar possíveis impactos sobre o desempenho de alguns veículos, embora a maioria da frota brasileira seja compatível com percentuais elevados de etanol na gasolina.

Decisão será tomada pelo CNPE

O Conselho Nacional de Política Energética reúne representantes de diversos ministérios e órgãos do governo responsáveis pela definição das diretrizes da política energética brasileira.

A expectativa é que a deliberação ocorra ainda nesta terça-feira. Se aprovada, a nova mistura passará pelos trâmites regulatórios antes de entrar em vigor, com cronograma a ser definido pelo governo federal.

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