Pré-candidato ao Senado pelo União Brasil é investigado por suposta ligação com esquema de lavagem de dinheiro que teria movimentado R$ 7,6 bilhões por meio de uma rede de postos de combustíveis no Rio de Janeiro.

Data de publicação: 8 de julho de 2026
O ex-prefeito de Belford Roxo e pré-candidato ao Senado pelo União Brasil, Márcio Canella, foi preso em flagrante na tarde de terça-feira (7) durante a sexta fase da Operação Unha e Carne, deflagrada pela Polícia Federal (PF). A prisão ocorreu após agentes encontrarem um fuzil calibre 5.56 no interior do veículo do político durante o cumprimento de um mandado de busca e apreensão.
Segundo a Polícia Federal, Canella era um dos alvos da operação por ser investigado como suposto “braço político” de uma organização criminosa suspeita de utilizar uma rede de postos de combustíveis na Região Metropolitana do Rio de Janeiro para lavagem de dinheiro. De acordo com as investigações, o grupo teria movimentado cerca de R$ 7,6 bilhões nos últimos seis anos, conforme relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).
Prisão em flagrante
A PF informou que a prisão foi motivada pela apreensão do armamento de calibre restrito. Em nota, a corporação afirmou que “um dos alvos da operação, investigado como braço político do grupo, foi preso em flagrante pelo crime de possuir ou portar arma de fogo de calibre restrito, após os policiais encontrarem um fuzil .556 no interior de seu veículo”.
Além do fuzil encontrado no carro, os policiais apreenderam, em endereços ligados ao ex-prefeito, outras armas, munições, carregadores, relógios de luxo e diversos bens que serão analisados durante o inquérito.
De acordo com informações divulgadas pela imprensa, Canella teria alegado aos investigadores que o fuzil não lhe pertencia. Até o momento, sua defesa informou que ainda não teve acesso integral aos autos da investigação e, por isso, não irá comentar o caso neste momento.
Operação mira lavagem bilionária
A sexta fase da Operação Unha e Carne teve como objetivo aprofundar as investigações sobre um suposto esquema de lavagem de dinheiro envolvendo uma rede de postos de combustíveis na Região Metropolitana do Rio.
Ao todo, foram cumpridos 19 mandados de busca e apreensão nos municípios do Rio de Janeiro, Niterói, São Gonçalo, Itaboraí e Resende. A Justiça também determinou o sequestro de bens e valores, além da suspensão das atividades econômicas de empresas ligadas aos investigados.
Segundo a Polícia Federal, além do crime de organização criminosa, os investigados poderão responder por lavagem de dinheiro, contratação direta ilegal e outros delitos que possam ser identificados ao longo da investigação.
Outros alvos
Entre os alvos da operação também está o delegado Marcus Amim, ex-secretário de Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro e atualmente cedido à Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj). Outros agentes públicos e empresários ligados ao grupo investigado também foram alvo das medidas judiciais.
A Operação Unha e Carne integra a força-tarefa Missão Redentor II, coordenada pela Polícia Federal para combater organizações criminosas e suas conexões com agentes públicos, em cumprimento às determinações estabelecidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no âmbito da ADPF 635.
Investigação continua
A Polícia Federal informou que as investigações prosseguem para identificar todos os envolvidos e esclarecer a participação de agentes públicos no esquema. A corporação também não descarta novas fases da operação, diante da complexidade da organização criminosa investigada.

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