Ministério Público do Rio prende cinco pessoas, denuncia 11 investigados e aponta fraudes em contratos milionários do Instituto Rio Metrópole.

Publicado em 09 de julho de 2026
O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) deflagrou, na manhã desta quinta-feira (9), a Operação Ouroboros, com o objetivo de desarticular um suposto esquema de corrupção instalado no Instituto Rio Metrópole (IRM), autarquia vinculada ao Governo do Estado do Rio de Janeiro.
As investigações revelaram um esquema de fraudes em contratos públicos que movimentou cerca de R$ 86 milhões. De acordo com o MPRJ, os contratos foram celebrados de forma ilegal e teriam beneficiado uma organização criminosa responsável pelo desvio de recursos públicos.
A apuração teve início após uma auditoria interna determinada pela gestão do governador em exercício Ricardo Couto, que identificou diversas irregularidades na execução de contratos firmados pelo instituto.

Cinco presos e 11 denunciados
Durante a operação, cinco pessoas foram presas, entre elas o presidente do Instituto Rio Metrópole, Davi Perini Vermelho, conhecido como Didê. Ao todo, o Ministério Público denunciou 11 investigados pelos crimes de:
- Organização criminosa;
- Corrupção passiva;
- Fraude em licitação;
- Lavagem de dinheiro.
Segundo os promotores, o grupo atuava de forma estruturada para direcionar contratos públicos, superfaturar serviços e ocultar a origem dos recursos desviados.
A “Mulher da Mala”
Um dos personagens centrais da investigação é uma ex-fiscal do IRM, apelidada pelos investigadores de “Mulher da Mala”.
De acordo com o Ministério Público, ela era responsável por sacar grandes quantias em dinheiro provenientes do esquema criminoso. As investigações apontam que a ex-servidora chegava a contar com escolta armada durante os deslocamentos até instituições bancárias para retirar os valores em espécie, o que reforça a suspeita de que o grupo movimentava elevadas quantias de dinheiro vivo para dificultar o rastreamento financeiro.
Esquema sofisticado
As investigações indicam que empresas contratadas pelo IRM recebiam pagamentos por contratos considerados fraudulentos. Posteriormente, parte dos recursos era desviada por meio de saques em dinheiro, transferências financeiras e mecanismos de lavagem de capitais destinados a ocultar os beneficiários finais.
Segundo o MPRJ, a organização criminosa mantinha uma estrutura voltada à continuidade das fraudes, utilizando servidores públicos e particulares para garantir a execução dos contratos e a circulação dos valores ilícitos.
Mandados
A Operação Ouroboros cumpriu mandados de prisão e de busca e apreensão em diversos endereços ligados aos investigados. Documentos, equipamentos eletrônicos, celulares e outros materiais foram apreendidos e serão analisados para aprofundar as investigações.
O Ministério Público informou que o trabalho busca identificar outros envolvidos, além de rastrear o destino dos recursos públicos desviados.
Investigação continua
O MPRJ destaca que as investigações prosseguem para apurar a participação de novos agentes públicos e empresários, além de identificar todo o patrimônio adquirido com recursos supostamente oriundos do esquema criminoso.
Caso sejam condenados, os denunciados poderão responder por crimes cujas penas, somadas, podem resultar em décadas de prisão, além da obrigação de ressarcimento integral dos prejuízos causados aos cofres públicos.

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