Advogada argentina acusada de racismo no Rio diz temer pela própria vida após repercussão do caso

Influenciadora afirma sofrer “perseguição extrema”, mas evita comentar gestos racistas que motivaram investigação por injúria racial.

Publicado em: 8 de fevereiro de 2026

A advogada e influenciadora digital argentina Agostina Páez, acusada de injúria racial contra funcionários de um bar no Rio de Janeiro, declarou temer pela própria vida após a ampla repercussão do caso. Em entrevista concedida ao canal argentino TN, no sábado (7), ela afirmou estar sendo alvo de uma “perseguição extrema” no Brasil e chegou a dizer: “Eles querem me matar”.

A acusação se refere a um episódio ocorrido no dia 14 de janeiro, quando Agostina foi filmada fazendo gestos considerados racistas em direção a funcionários de um bar na capital fluminense. As imagens circularam nas redes sociais e provocaram forte reação pública. O crime de injúria racial, pelo qual ela foi indiciada, prevê pena de dois a cinco anos de prisão, conforme a legislação brasileira.

Na última sexta-feira, a advogada foi conduzida a uma delegacia da Polícia Civil do Rio, onde foi formalmente indiciada. Ela chegou a ser detida em cumprimento a um mandado de prisão preventiva, expedido no âmbito da ação penal, após ser localizada em um apartamento alugado na região de Vargem Pequena, na Zona Oeste da cidade. Apesar disso, foi liberada ainda no mesmo dia, mediante o cumprimento de medidas cautelares impostas pela Justiça.

Entre as determinações judiciais, Agostina Páez passou a ser monitorada por tornozeleira eletrônica, deve comparecer mensalmente ao Tribunal de Justiça e está proibida de deixar o Brasil, incluindo retorno à Argentina, sem autorização judicial.

En seu Instagram, Agostina declarou: “Tengo miedo de verme perjudicada haciendo este video, que se vulneren todavía más mis derechos, de los hechos no puedo contar, solo espero que todo se aclare y resuelva como corresponde. Dejen de usarme de ejemplo, muestren todo.” Necesito ayuda!

Mesmo diante da gravidade das acusações, a advogada evita comentar diretamente o conteúdo considerado racista. “Não posso falar sobre os acontecimentos. A única coisa que vou dizer é que não menti sobre nada. Disseram que eu tinha proferido outros insultos, e isso é mentira”, afirmou. A estratégia de silêncio sobre o gesto que originou o caso, no entanto, contrasta com a postura de vitimização adotada em entrevistas internacionais.

Natural de Santiago del Estero, na Argentina, Agostina possui formação superior em Direito e atua como influenciadora digital, o que torna ainda mais controversa qualquer tentativa de alegar desconhecimento das leis ou normas básicas de convivência. O episódio reacende um debate recorrente sobre comportamento, respeito e responsabilidade legal de estrangeiros em outros países.

Ao ingressar em território estrangeiro, todo visitante se submete às leis locais, independentemente de nacionalidade, status social ou grau de instrução. O caso evidencia que atitudes discriminatórias não são apenas moralmente reprováveis, mas também passíveis de punição criminal, especialmente em um país cuja legislação avançou no combate ao racismo.

Nas redes sociais de seu país a influenciadora propaga desodorante de marca conhecida também no Brasil. 

Mais do que uma controvérsia individual, o episódio serve de alerta: formação acadêmica e visibilidade digital não imunizam ninguém contra a lei, tampouco justificam comportamentos que atentem contra a dignidade humana.

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