Caso integra investigação da Operação Unha e Carne, que apura um esquema bilionário de lavagem de dinheiro.

Publicado em: 3 de agosto de 2026
A Polícia Federal identificou um novo indício de fraude na investigação que apura um esquema bilionário de lavagem de dinheiro envolvendo uma rede de postos de combustíveis no estado do Rio de Janeiro. Segundo as apurações, dois postos localizados em São Gonçalo apresentaram à Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) licenças ambientais supostamente falsas, assinadas em nome de um ex-secretário municipal de Meio Ambiente que morreu em agosto de 2020. As licenças, no entanto, foram emitidas em 2023.
Os documentos foram utilizados para obter autorização de funcionamento dos postos VIP Catarina e Pitubinha. Ambos apresentaram licenças atribuídas a José Rafael de Abreu Magalhães, conhecido como Fael, que ocupou a Secretaria Municipal de Meio Ambiente de São Gonçalo entre 2017 e 2020 e faleceu após sofrer um AVC, em agosto daquele ano.
Prefeitura afirma que documentos são falsos
Em nota, a Prefeitura de São Gonçalo informou que as licenças apresentadas à ANP não foram emitidas pelo município e classificou os documentos como falsos.
Segundo a administração municipal, a licença ambiental de número 043/2023 foi concedida a outra empresa, sem qualquer vínculo com postos de combustíveis. Já o Posto VIP Catarina recebeu regularmente a licença 044/2023, emitida em 28 de setembro de 2023 e assinada pelo então secretário municipal de Meio Ambiente, Carlos Afonso Pereira Rosa.
A prefeitura informou ainda que tomou conhecimento da fraude em 2024, quando foi acionada pelo Ministério Público, ocasião em que prestou todos os esclarecimentos solicitados.
Alvos da investigação
As investigações apontam que os dois postos possuem ligações com pessoas investigadas pela Polícia Federal.
O Posto VIP Catarina tem como sócia a empresária Luisi Pinho, esposa do policial civil José Carlos Alves de Souza. Já o Posto Pitubinha possui como sócias Luisi Pinho e Luana Oliveira, esposa do policial civil Pablo Jukia Félix Ferreira, conhecido como “Pablo Russo”.
Outro investigado é Hugo Correia da Cruz, conhecido como “Hugo Canelão”, apontado pela PF como administrador de diversas empresas do grupo investigado.
Na sexta fase da Operação Unha e Carne, deflagrada em julho, Luisi Pinho, Luana Oliveira, Hugo Correia da Cruz e José Carlos Alves de Souza foram alvo de mandados de busca e apreensão autorizados pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Até a publicação desta reportagem, as defesas dos investigados não haviam se manifestado publicamente sobre as acusações.
Esquema teria movimentado R$ 7,6 bilhões
A fraude nas licenças ambientais integra um conjunto maior de investigações conduzidas pela Polícia Federal na Operação Unha e Carne.
Segundo relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), o grupo criminoso investigado teria movimentado aproximadamente R$ 7,6 bilhões em operações financeiras nos últimos seis anos, utilizando uma rede de postos de combustíveis para ocultar e lavar recursos de origem ilícita.
Além da lavagem de dinheiro, a investigação também apura a possível participação de agentes públicos, organização criminosa e outros delitos que poderão ser identificados durante o avanço das apurações.
Investigação continua
A Polícia Federal segue analisando documentos, movimentações financeiras e a atuação dos envolvidos para verificar a extensão da utilização de licenças ambientais fraudulentas e identificar outros estabelecimentos que possam ter recorrido ao mesmo tipo de irregularidade.
O caso também poderá gerar novos desdobramentos nas esferas criminal, administrativa e ambiental, conforme o avanço das investigações conduzidas pela PF e pelos órgãos de controle competentes.

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