PF DEFLAGRA NOVA FASE DA OPERAÇÃO TRANSPARÊNCIA

Investigação apura suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro e exploração de prestígio; operação tem como alvo o deputado federal Cezinha de Madureira e pessoas ligadas a ele.

Publicado em 14 de setembro de 2026

A Polícia Federal (PF) deflagrou nesta segunda-feira (14) a terceira fase da Operação Transparência, investigação que apura suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro, exploração de prestígio e tráfico de influência relacionado à atuação junto a tribunais superiores.

Nesta nova etapa, os agentes cumprem quatro mandados de busca e apreensão em endereços localizados em São Paulo e no Distrito Federal. Entre os alvos está o deputado federal Cezinha de Madureira (PL-SP), apontado pelos investigadores como pessoa que teria mantido relações com intermediários que buscavam exercer influência sobre decisões e processos no Judiciário.

A operação também tem como alvo a advogada Valéria Rodrigues Linhares, esposa do parlamentar. Segundo as informações divulgadas sobre a investigação, ela foi abordada em agosto portando aproximadamente R$ 510 mil em dinheiro vivo, circunstância que passou a integrar as apurações da PF.

INVESTIGAÇÃO TEM DESDOBRAMENTOS NO STF

A terceira fase da Operação Transparência foi autorizada pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF). A investigação é um desdobramento de apurações iniciadas no fim de 2025, inicialmente relacionadas à destinação e ao uso de emendas parlamentares.

Ao longo das diligências, os investigadores passaram a analisar também possíveis relações entre agentes políticos, empresários e pessoas que buscariam acesso privilegiado ou influência sobre processos em tribunais superiores.

A PF apura se essas relações poderiam ter sido utilizadas para obtenção de vantagens indevidas, incluindo eventual pagamento ou recebimento de valores em troca de intermediações.

RELAÇÃO COM MINISTRO DO STF

Cezinha de Madureira é apontado como aliado do ministro André Mendonça, do STF. A investigação, no entanto, não aponta, até o momento, envolvimento de ministros do Supremo nos fatos investigados.

Segundo informações divulgadas nesta segunda-feira, Mendonça confirmou ter se reunido em 2025 com o empresário Daniel Vorcaro, então controlador do Banco Master. O encontro teria tratado de questões relacionadas a créditos de precatórios do banco.

O episódio passou a ser citado no contexto das investigações que envolvem diferentes autoridades e empresários, mas não significa, por si só, que o ministro seja investigado pela Operação Transparência.

OPERAÇÃO JÁ HAVIA ATINGIDO OUTROS INVESTIGADOS

A Operação Transparência começou em dezembro de 2025 e teve como foco inicial suspeitas envolvendo a destinação irregular de emendas parlamentares.

Em julho deste ano, o ministro Flávio Dino determinou o bloqueio de até R$ 119 milhões em bens do presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, após a PF apontar indícios de que ele teria exercido influência sobre a destinação de emendas mesmo sem ocupar mandato parlamentar.

De acordo com a investigação, mensagens e planilhas encontradas durante as diligências indicariam a existência de um mecanismo informal de direcionamento de recursos públicos. A PF também apontou a participação de servidores que operacionalizariam as indicações.

As suspeitas ainda estão sob investigação e os envolvidos têm direito à defesa e à presunção de inocência.

PF BUSCA NOVAS PROVAS

Nesta terceira fase, os mandados de busca e apreensão têm como objetivo recolher documentos, equipamentos eletrônicos, registros financeiros e outros elementos que possam ajudar a esclarecer a eventual existência de um esquema de influência e obtenção de vantagens junto ao Judiciário.

A PF deve analisar o material apreendido antes de definir os próximos passos da investigação. Dependendo das provas reunidas, novas diligências e medidas judiciais poderão ser solicitadas.

A operação ocorre em um momento de grande atenção sobre investigações envolvendo emendas parlamentares, autoridades políticas, empresários e integrantes do sistema de Justiça, com diferentes inquéritos em andamento no STF.

As investigações continuam, e a Polícia Federal ainda deverá esclarecer a extensão das relações financeiras e políticas identificadas nesta nova fase da Operação Transparência.

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