Senador e candidato à Presidência é alvo de apuração no STF sobre repasses milionários destinados à cinebiografia de Jair Bolsonaro.

Publicado em 11 de setembro de 2026
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência da República, é investigado pela Polícia Federal (PF) em um inquérito que apura a origem e a destinação de recursos utilizados para financiar o filme “Dark Horse”, cinebiografia sobre a trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
A investigação foi autorizada em julho pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), após solicitação da Polícia Federal e manifestação favorável da Procuradoria-Geral da República (PGR). O objetivo é esclarecer se os recursos destinados à produção do longa-metragem foram utilizados exclusivamente para essa finalidade ou se parte do dinheiro teve outra destinação.
Segundo informações divulgadas pela TV Brasil, a investigação inicialmente passou a rastrear aproximadamente R$ 61 milhões repassados pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro, então controlador do Banco Master, para financiar a produção do filme. A PF também apura se os repasses poderiam estar relacionados à eventual obtenção de vantagens indevidas.
REPASSES DE VORCARO ESTÃO NO CENTRO DA APURAÇÃO
O caso ganhou força depois que veio a público uma conversa na qual Flávio Bolsonaro pede recursos a Daniel Vorcaro para o financiamento do filme. O senador afirma que os valores tinham como finalidade exclusiva custear a produção da obra e nega ter cometido qualquer irregularidade.
A investigação, entretanto, passou a analisar as movimentações financeiras relacionadas ao projeto e a possibilidade de que parte dos recursos tenha sido utilizada para outras finalidades.
Em setembro, a produtora Go Up Entertainment, responsável pelo filme, confirmou que recebeu novos aportes de Vorcaro. Entre eles está uma transferência de US$ 1,6 milhão, realizada em setembro de 2025, que equivalia a aproximadamente R$ 8,5 milhões na cotação da época. Com esse novo valor, os aportes atribuídos ao ex-banqueiro chegaram a US$ 12,3 milhões.
A empresa afirma que todos os recursos foram destinados à produção do filme e que os valores foram informados à Justiça de São Paulo em prestação de contas apresentada em junho de 2026.
DELAÇÃO HOMOLOGADA POR ANDRÉ MENDONÇA
Na quarta-feira (9), André Mendonça homologou a delação premiada de Antônio Carlos Freixo Júnior, conhecido como “Mineiro”, no âmbito das investigações sobre os recursos destinados ao filme.
Freixo Júnior é apontado como responsável por movimentações financeiras relacionadas aos recursos de Vorcaro, incluindo repasses para o Havengate Development Fund, nos Estados Unidos. O fundo é administrado por um advogado próximo a Eduardo Bolsonaro.
A delação poderá fornecer novas informações sobre o caminho percorrido pelo dinheiro e sobre eventuais beneficiários das operações financeiras investigadas pela Polícia Federal.
OPERAÇÃO DA POLÍCIA FEDERAL
A investigação também avançou sobre possíveis irregularidades envolvendo recursos públicos e emendas parlamentares.
Em uma operação autorizada pelo STF, a Polícia Federal cumpriu 49 mandados de busca e apreensão em quatro estados. Entre os alvos estão o deputado federal Mário Frias (PL-SP) e pessoas ligadas ao Instituto Conhecer Brasil (ICB) e à produção de “Dark Horse”.
A PF identificou ainda movimentações consideradas atípicas na conta da produtora Go Up. Segundo a investigação, a empresa movimentou cerca de R$ 19 milhões entre novembro e dezembro de 2025.
Outro ponto analisado pelos investigadores é o repasse de aproximadamente R$ 700 mil em emendas parlamentares destinadas ao Instituto Conhecer Brasil. A suspeita é de que recursos públicos tenham sido desviados de sua finalidade original e posteriormente direcionados à produção do filme.
EX-MARQUETEIRO DE FLÁVIO TRANSFERIU R$ 1 MILHÃO
As investigações também encontraram uma transferência de R$ 1 milhão realizada por Marcello de Oliveira Lopes, ex-marqueteiro da campanha de Flávio Bolsonaro, para a produtora do filme.
De acordo com a PF, a operação integra um conjunto de movimentações financeiras consideradas atípicas e ocorridas durante o período em que a produção do longa estava em andamento.
O empresário deixou a equipe de campanha de Flávio Bolsonaro em maio deste ano, após vir a público uma gravação de 2025 na qual o senador conversava com Vorcaro sobre recursos para o projeto cinematográfico.
INVESTIGAÇÃO AINDA ESTÁ EM ANDAMENTO
A apuração não significa que Flávio Bolsonaro tenha sido denunciado ou condenado por qualquer crime. Neste momento, trata-se de uma investigação destinada a esclarecer a origem, a movimentação e a finalidade dos recursos relacionados ao filme.
Entre os pontos analisados estão possíveis crimes financeiros e a eventual utilização irregular de recursos públicos. A PF também busca reconstruir o caminho dos valores e identificar se houve participação de outras pessoas ou empresas no esquema investigado.
Flávio Bolsonaro nega irregularidades e sustenta que os recursos recebidos de Vorcaro foram destinados à produção de “Dark Horse”. A produtora Go Up também afirma que os recursos recebidos foram utilizados integralmente no filme e que as operações seguiram os procedimentos bancários e regulatórios aplicáveis.
O caso ganhou dimensão ainda maior por ocorrer durante o período eleitoral de 2026, no qual Flávio Bolsonaro disputa a Presidência da República. A investigação, portanto, tem potencial para produzir efeitos tanto no campo jurídico quanto na corrida eleitoral.
Enquanto a PF aprofunda a análise das movimentações financeiras, novas informações poderão surgir a partir da delação de Freixo Júnior e da documentação apreendida nas operações realizadas ao longo da investigação.

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