Operação Exchange: PF prende suspeitos de lavar dinheiro do tráfico internacional

Investigação mira organização criminosa que utilizava empresas e o sistema financeiro para ocultar recursos do tráfico internacional de drogas; empresário apontado como líder do esquema segue foragido.

Publicado em: 3 de julho de 2026

A Polícia Federal deflagrou, na manhã desta sexta-feira (3), a Operação Exchange, uma ofensiva para desarticular uma organização criminosa especializada na lavagem de dinheiro proveniente do tráfico internacional de drogas. A investigação também conta com cooperação internacional e ocorre dois dias após o governo dos Estados Unidos aplicar sanções contra integrantes do grupo por supostas ligações com o Primeiro Comando da Capital (PCC).

Ao todo, a Justiça autorizou o cumprimento de 11 mandados de prisão temporária. Até a última atualização da operação, sete pessoas haviam sido presas. Todos os detidos serão encaminhados para a sede da Polícia Federal, em São Paulo, onde permanecerão à disposição da Justiça.

Entre os presos está Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira, apontada pelas investigações como integrante da estrutura financeira do grupo criminoso. Na última quarta-feira (1º), ela foi alvo de sanções impostas pelo Departamento do Tesouro dos Estados Unidos, que a acusa de atuar em uma rede internacional de lavagem de dinheiro ligada ao PCC. Segundo as autoridades norte-americanas, Stella exercia funções de apoio logístico e intermediação na movimentação de grandes quantias em dinheiro oriundas do tráfico de drogas.

Outro principal alvo da operação é o empresário Victor Henrique de Oliveira Shimada, que também foi sancionado pelo governo norte-americano. De acordo com a Polícia Federal, ele não foi localizado e é considerado foragido.

Esquema internacional

As investigações apontam que a organização criminosa utilizava empresas de fachada, operações financeiras e movimentações envolvendo criptomoedas para ocultar e dar aparência de legalidade a recursos provenientes do tráfico internacional de drogas.

Segundo o Departamento do Tesouro dos Estados Unidos, Shimada seria um dos principais articuladores da rede, atuando como elo entre integrantes do PCC no Brasil e operadores financeiros no exterior. As autoridades americanas afirmam que o grupo teria movimentado mais de US$ 30 milhões em recursos ilícitos, utilizando o sistema financeiro internacional para beneficiar a facção criminosa.

Cooperação internacional

A Operação Exchange é resultado do trabalho conjunto entre a Polícia Federal e órgãos internacionais de combate ao crime organizado e à lavagem de dinheiro. A expectativa é que a análise do material apreendido durante o cumprimento dos mandados permita identificar outros integrantes da organização e ampliar o rastreamento do patrimônio obtido de forma ilícita.

A Polícia Federal informou que as investigações continuam e novas diligências poderão ser realizadas nos próximos dias para localizar os foragidos, identificar outros envolvidos e aprofundar o rastreamento dos recursos financeiros movimentados pelo grupo criminoso.

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