Carlito Lopes de Oliveira Junior participa de um dos principais encontros mundiais de História Empresarial e apresenta pesquisa sobre tecnologia, trabalho escravizado e produção de tijolos e telhas no Recôncavo da Guanabara.

Publicado em 28 de julho de 2026
O município de Magé ganha destaque no cenário acadêmico internacional com a participação do pesquisador Carlito Lopes de Oliveira Junior no III World Congress of Business History (WCBH3), realizado entre os dias 27 e 31 de julho, em Toronto, no Canadá.
Doutorando em História pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO), Carlito participa do encontro que reúne pesquisadores e especialistas de diversos países para discutir a história e a evolução das empresas, dos mercados e do comércio mundial.
O congresso é realizado em Toronto e tem entre seus anfitriões a Canadian Business History Association e a University of Toronto. A programação ocorre sob o tema “Global Connections/Diverse Directions: Building Bridges Across Business Histories”, em tradução livre, “Conexões Globais/Direções Diversas: Construindo Pontes entre Histórias Empresariais”.
PESQUISA RESGATA HISTÓRIA ECONÔMICA DA REGIÃO
Durante o congresso, Carlito apresenta o trabalho “Industrial Technology, Enslaved Labor and Regional Markets: the Brickworks of Bulhões & Faria in the Recôncavo of Rio de Janeiro (1860–1880)”.
A pesquisa investiga as relações entre as inovações tecnológicas utilizadas na produção de tijolos e telhas, o emprego de mão de obra escravizada e a formação dos mercados regionais no Recôncavo da Guanabara durante a segunda metade do século XIX.
O estudo tem como recorte o período entre 1860 e 1880 e analisa a atividade da olaria Bulhões & Faria. A proposta contribui para compreender como tecnologia, organização produtiva, escravidão e circulação de mercadorias estavam conectadas durante um período de profundas transformações econômicas e sociais no Brasil.
A participação também coloca a história econômica do território fluminense, incluindo a região de Magé e seu entorno, dentro de um debate internacional sobre capitalismo, empresas, mercados e relações de trabalho.
TRAJETÓRIA LIGADA À HISTÓRIA DE MAGÉ
Carlito Lopes de Oliveira Junior é mestre em História pela Universidade Federal Fluminense (UFF) e atualmente desenvolve seu doutorado na UNIRIO. Sua pesquisa de doutorado aborda o mercado interno de pessoas escravizadas no Recôncavo da Guanabara, abrangendo Estrela, Iguaçu e Magé entre 1850 e 1888.
Além da atuação acadêmica, o pesquisador trabalha com preservação do patrimônio histórico-cultural de Magé. Sua produção científica também contempla temas relacionados à memória e ao patrimônio do município.
Em abril deste ano, por exemplo, foi publicado na Revista Confluências Culturais um artigo de sua autoria sobre a Igreja de Nossa Senhora da Guia de Pacobaíba e os desafios contemporâneos para a preservação do patrimônio cultural mageense.
Carlito também integra o Harriet Tubman Institute, da York University, no Canadá, instituição dedicada a pesquisas relacionadas à história e às experiências de povos africanos e suas diásporas. Seu perfil acadêmico reúne estudos sobre escravidão atlântica, história econômica, demografia histórica, capitalismo atlântico e o Brasil do século XIX.
MAGÉ NO CENÁRIO ACADÊMICO INTERNACIONAL
A presença de um pesquisador de Magé em um congresso desta dimensão amplia a projeção da produção acadêmica desenvolvida a partir da história da Baixada Fluminense e do Recôncavo da Guanabara.
O World Congress of Business History reúne acadêmicos, pesquisadores e especialistas para debater como empresas, instituições, mercados e empreendedores se transformaram ao longo da história e de que maneira o conhecimento histórico pode ajudar na compreensão das mudanças econômicas contemporâneas. A edição de 2026 acontece de 27 a 31 de julho.
Ao levar uma pesquisa centrada na produção de tijolos e telhas, na inovação tecnológica, no trabalho escravizado e nos mercados regionais do século XIX, Carlito coloca parte importante da história econômica fluminense diante de pesquisadores de diferentes partes do mundo.
Mais do que uma participação individual, a presença do pesquisador no Canadá ajuda a projetar Magé como território de produção de conhecimento histórico, mostrando que acontecimentos e atividades econômicas desenvolvidos na região durante o século XIX estão diretamente ligados a processos mais amplos da formação econômica e social brasileira.

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