PF APONTA SUPOSTAS VANTAGENS INDEVIDAS A CLÁUDIO CASTRO EM INVESTIGAÇÃO SOBRE A REFIT

Relatório da Operação Sem Refino cita pagamentos de despesas pessoais, caviar, aluguel e obras em imóvel; ex-governador nega irregularidades e afirma que atos de sua gestão seguiram a legislação.

Data de publicação: 13 de setembro de 2026

A Polícia Federal aprofundou as investigações contra o ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro no âmbito da Operação Sem Refino, que apura um suposto esquema de fraudes, lavagem de dinheiro, sonegação fiscal e irregularidades envolvendo o setor de combustíveis e a Refit, antiga Refinaria de Manguinhos.

A segunda fase da operação foi deflagrada em 14 de agosto, com o cumprimento de 16 mandados de busca e apreensão no estado do Rio de Janeiro, autorizados pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Castro esteve novamente entre os alvos das diligências.

Nas últimas semanas, porém, novos elementos vieram a público. Em 3 de setembro, o ministro Alexandre de Moraes retirou o sigilo de parte da investigação. No relatório produzido pela PF, os investigadores afirmam ter identificado indícios de que Castro teria recebido vantagens indevidas relacionadas à atuação de órgãos estaduais em favor da Refit.

PF CITA DESPESAS PESSOAIS E BENEFÍCIOS

Segundo o relatório policial, entre as vantagens que teriam beneficiado o ex-governador estão despesas relacionadas a uma residência na Barra da Tijuca, o uso de um imóvel em Petrópolis e a construção de uma adega avaliada em aproximadamente R$ 249 mil.

O documento também menciona uma despesa de aproximadamente R$ 10,5 mil com caviar, que, segundo a investigação, teria sido paga por uma empresa ligada a um dos investigados.

A PF sustenta que esses benefícios podem ter relação com uma suposta atuação de integrantes da administração estadual em favor dos interesses da refinaria.

É importante destacar, contudo, que os elementos apresentados fazem parte de uma investigação em andamento e não representam, por si só, uma condenação ou comprovação definitiva de responsabilidade criminal.

LICENÇAS AMBIENTAIS ESTÃO NO CENTRO DA SEGUNDA FASE

A segunda etapa da Operação Sem Refino concentra parte das apurações em possíveis irregularidades na concessão de licenças ambientais para a refinaria, inclusive com suspeita de que procedimentos tenham ocorrido à margem das orientações técnicas dos órgãos responsáveis.

Além disso, a PF investiga possíveis crimes de gestão fraudulenta e temerária, lavagem de capitais, sonegação fiscal, evasão de divisas, manipulação de mercado e crimes contra a ordem econômica relacionados à comercialização de combustíveis.

Um dos endereços vistoriados pelos investigadores fica em Petrópolis, na Região Serrana. A investigação apura se o imóvel teria sido utilizado em negociações consideradas fraudulentas.

QUEM MAIS FOI ALVO

Além de Cláudio Castro, a segunda fase atingiu outros nomes ligados à investigação. Entre os alvos estão o ex-deputado estadual Bernardo Rossi, o advogado Antonio Carlos Santos, conhecido como Pipo, o empresário Luiz Fernando Gomes e outros empresários e ex-integrantes da administração pública.

As buscas foram determinadas pelo STF e tiveram como objetivo reunir documentos, dispositivos eletrônicos e outros elementos que possam ajudar a esclarecer a suposta relação entre agentes públicos e o grupo empresarial investigado.

PRIMEIRA FASE OCORREU EM MAIO

A Operação Sem Refino começou em 15 de maio de 2026. Na primeira fase, a Polícia Federal cumpriu 17 mandados de busca e apreensão e sete medidas de afastamento de funções públicas no Rio de Janeiro, São Paulo e Distrito Federal.

Também foi determinado o bloqueio de aproximadamente R$ 52 bilhões em ativos financeiros relacionados aos investigados e às empresas sob apuração. A operação contou com apoio técnico da Receita Federal.

Naquela ocasião, o empresário Ricardo Magro, apontado como controlador da Refit, teve a prisão preventiva decretada. A PF também solicitou sua inclusão na Difusão Vermelha da Interpol, já que ele reside no exterior.

REFIT ENFRENTA CRISE JUDICIAL

A situação da Refit também se agravou nos últimos meses. A empresa, que já estava em recuperação judicial, acumulava uma dívida tributária superior a R$ 25 bilhões com o Estado do Rio de Janeiro.

Em agosto, a Justiça do Rio de Janeiro decretou a falência do grupo Refit, em decisão que apontou o descumprimento de obrigações relacionadas ao processo de recuperação judicial e ao acordo de parcelamento tributário.

A empresa também enfrentou medidas regulatórias relacionadas às suas atividades no setor de combustíveis, enquanto a PF continua investigando possíveis crimes financeiros e tributários associados ao grupo.

DEFESA DE CLÁUDIO CASTRO NEGA IRREGULARIDADES

A defesa do ex-governador nega que ele tenha participado de qualquer irregularidade envolvendo a Refit.

Em manifestação divulgada após a segunda fase da operação, os advogados afirmaram que o imóvel de Petrópolis alvo das buscas não tinha mais ligação com Castro havia meses. A defesa também declarou que desconhecia o conteúdo integral dos elementos que fundamentaram a operação e que os atos praticados durante a gestão do ex-governador seguiram critérios técnicos, jurídicos e administrativos previstos na legislação.

Sobre a despesa relacionada ao caviar, a defesa apresentou uma versão diferente da interpretação feita pela PF, afirmando que a aquisição teria sido realizada por um amigo e que Castro apenas retirou e consumiu parte dos produtos.

INVESTIGAÇÃO AINDA NÃO FOI CONCLUÍDA

Com a retirada do sigilo de parte dos autos e a divulgação de novos elementos, a Operação Sem Refino ganhou uma nova dimensão política e jurídica.

A PF ainda precisa concluir as diligências e reunir os elementos necessários para definir eventuais responsabilidades individuais. O material investigativo poderá ser analisado pelo Ministério Público Federal, que decidirá sobre possíveis medidas posteriores, incluindo eventual oferecimento de denúncia, caso entenda haver provas suficientes.

Até o momento, Cláudio Castro é investigado, e não condenado, e as acusações descritas no relatório policial ainda deverão ser submetidas ao devido processo legal e ao contraditório.

A investigação segue sob supervisão do Supremo Tribunal Federal.

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