Governador em exercício atribui melhora das contas públicas ao reforço da fiscalização.

Publicado em 19 de setembro de 2026
O governador em exercício do Rio de Janeiro, desembargador Ricardo Couto, afirmou nesta sexta-feira (18) que o Estado deixou a situação de déficit e passou a registrar resultado superavitário. Segundo ele, a atual gestão caminha para cumprir a meta de encerrar o período com aproximadamente R$ 5 bilhões em caixa.
A declaração foi feita durante um evento realizado no Complexo da Polícia Rodoviária Federal (PRF), em Irajá, na Zona Norte do Rio, que contou com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e representantes das forças de segurança. Na ocasião, foram apresentadas ações integradas para o enfrentamento ao crime organizado no estado.
DO DÉFICIT À EXPECTATIVA DE SUPERÁVIT
Ao falar sobre a situação financeira do estado, Couto afirmou que o cenário das contas públicas mudou em relação ao início do ano.
Segundo informações divulgadas na época da elaboração do orçamento estadual, a previsão para 2026 apontava um déficit de aproximadamente R$ 18,9 bilhões. Em junho, o próprio governo havia estabelecido como objetivo reduzir o desequilíbrio e entregar a administração estadual à próxima gestão com cerca de R$ 5 bilhões em caixa.
Agora, Couto afirma que a situação mudou e que o Estado já apresenta resultado superavitário.
“Hoje o Estado do Rio de Janeiro saiu do vermelho”, afirmou o governador em exercício durante o evento.
Couto também declarou que a meta de entregar o governo com aproximadamente R$ 5 bilhões em caixa deverá ser alcançada. A cifra, entretanto, representa uma projeção apresentada pelo governador, e não significa que esse montante já esteja disponível nos cofres estaduais.
BARREIRAS FISCAIS E COMBATE À SONEGAÇÃO
Entre os fatores apontados por Couto para explicar a melhora das contas está o endurecimento das barreiras fiscais e da fiscalização sobre a circulação de mercadorias.
De acordo com o governador em exercício, o Estado intensificou o controle nos corredores de circulação de cargas, buscando combater a entrada e a comercialização de produtos ilegais, além de ampliar a arrecadação.
A estratégia está associada também às ações de segurança realizadas em conjunto por órgãos estaduais e federais. Couto citou o aumento das apreensões de drogas, contrabando e produtos adulterados como parte desse esforço integrado.
SEGURANÇA E ECONOMIA NO MESMO PLANO
Durante o evento, o governador relacionou a política de segurança à atividade econômica. A proposta apresentada é ampliar a proteção dos principais corredores logísticos do estado para reduzir roubos e furtos de cargas.
A avaliação apresentada pelo governo é de que a redução desse tipo de crime pode contribuir para melhorar o ambiente de negócios, proteger empresas e estimular a circulação de mercadorias.
A atuação envolve diferentes estruturas das forças de segurança, incluindo as polícias Militar e Civil, Polícia Rodoviária Federal, Polícia Federal e órgãos municipais.
INTEGRAÇÃO ENTRE UNIÃO, ESTADO E MUNICÍPIOS
O encontro com Lula teve como principal pauta a integração das forças de segurança no combate ao crime organizado.
O governo federal apresentou uma estratégia de atuação conjunta com o Estado e os municípios, com foco na recuperação de áreas submetidas à influência de organizações criminosas e no enfrentamento de crimes como roubo de cargas.
Couto defendeu que a segurança pública seja tratada a partir da cooperação entre as instituições, independentemente das diferenças políticas entre os governos.
O presidente Lula, por sua vez, destacou durante o evento a necessidade de integração entre as forças policiais e os diferentes níveis de governo para enfrentar o crime organizado no Rio.
MUDANÇA NO CENÁRIO FISCAL
Outro fator relevante para as contas estaduais foi a adesão do Rio de Janeiro ao Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag), em junho. Com a adesão ao programa, o Estado deixou o Regime de Recuperação Fiscal (RRF), no qual permanecia desde 2022.
Além das medidas de arrecadação e fiscalização, a administração Couto também promoveu ações de redução e reorganização da estrutura administrativa. Entre as medidas recentes está a extinção de 1.050 cargos em comissão que estavam vagos. Desde março, segundo levantamento divulgado pela imprensa, mais de 6 mil cargos comissionados foram exonerados, enquanto 2.496 servidores de carreira foram nomeados.
META AINDA DEPENDE DO FECHAMENTO DAS CONTAS
Apesar da declaração de que o Estado já saiu do vermelho, a previsão de terminar a gestão com R$ 5 bilhões em caixa deve ser entendida como uma meta fiscal projetada para o encerramento do exercício.
O resultado definitivo dependerá do comportamento das receitas, despesas, arrecadação, transferências, compromissos financeiros e demais obrigações do Estado até o fechamento das contas de 2026.
A declaração de Ricardo Couto representa, portanto, uma mudança significativa em relação ao cenário fiscal projetado no início do ano, quando o orçamento apontava um déficit de quase R$ 19 bilhões.
Com a aproximação do fim do ano, o desempenho efetivo das contas públicas deverá ser confirmado pelos balanços oficiais do Estado, que permitirão verificar se a projeção de R$ 5 bilhões em caixa será efetivamente alcançada.

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