Após 20 anos de administrações ineficientes, moradores enfrentam crise na saúde, educação e serviços básicos; atual gestão já tem avaliação pior que a anterior.

Publicado em 26 de janeiro de 2026
Teresópolis, uma das cidades mais belas da Região Serrana do Rio de Janeiro, vive um paradoxo doloroso: enquanto sua paisagem encanta turistas, sua administração pública acumula fracassos que impactam diretamente a vida da população. Nas últimas duas décadas, ao menos cinco gestões municipais deixaram como legado um histórico de ineficiência, denúncias, desgaste institucional e profundo retrocesso social.
Uma Cidade Fadada a péssimas gestões
O sentimento predominante hoje entre os moradores é de arrependimento. Sob fortes críticas de eleitores, o atual prefeito, Leonardo Vasconcellos — ex-presidente da Câmara Municipal — enfrenta uma avaliação pública ainda pior do que a da gestão passada. Reclamações sobre o colapso da saúde pública, problemas crônicos na educação e a precariedade dos serviços essenciais tomaram as ruas e as redes sociais.
A situação ganhou novos contornos políticos após declarações feitas no BlogPod, comandado pelo ex-governador e repórter investigativo Anthony Garotinho. Segundo ele, recebeu uma ligação de um amigo pessoal do prefeito, residente nos Emirados Árabes, pedindo que cessasse as críticas ao governo municipal. “Pô, para de bater no Léo”, teria sido o recado. Garotinho afirma ter recusado qualquer tipo de trégua e relatou que a própria base do prefeito reconhece o desgaste: saúde em colapso, população revoltada e uma administração mergulhada em crise.

Ainda segundo Garotinho, Leonardo Vasconcellos tentou contato direto, alegando afinidade partidária, mas ouviu como resposta que “corrupção e ladrão não têm partido”. As declarações reforçam o clima de instabilidade política e alimentam suspeitas de irregularidades na atual gestão, que já começam a ser comentadas nos bastidores da cidade.
O quadro se agrava quando se observa o passado recente. A esperança de mudança surgiu após o fim da gestão de Vinicius Claussen, que comandou Teresópolis por dois mandatos marcados por desgaste, críticas severas e frustração popular. À época, o próprio Leonardo Vasconcellos, ainda como presidente da Câmara, se colocava como opositor daquele modelo administrativo. Hoje, ironicamente, moradores afirmam que a cidade parece ter aprovado — e até aprofundado — os mesmos erros do passado.

O resultado das urnas, decidido por uma margem apertada de votos, revelou uma cidade dividida e fragilizada politicamente. O eleitor teve a oportunidade de mudar os rumos do município, mas a escolha acabou reproduzindo um ciclo que se repete há 20 anos: promessas de renovação que se transformam em mais um capítulo de frustração coletiva.
Teresópolis segue como uma cidade fadada a gestões problemáticas, onde o voto obrigatório não tem sido acompanhado do voto consciente. A população clama por melhorias, enquanto a máquina pública parece andar em sentido oposto às necessidades reais do cidadão.
Linha do tempo — Prefeitos de Teresópolis (2005–2025)
| Período | Prefeito | Observações |
|---|

| 2009–2011 | Jorge Mário Sedlacek (PT) | Eleito em 2008; mandato interrompido por cassação em 2011. |

| 2011 (agosto) | Roberto José Pinto (interino) | Vice-prefeito que assumiu após afastamento de Sedlacek; faleceu poucos dias depois. |

| 2011–2015 | Arlei de Oliveira Rosa (PMDB) | Assumiu pela Câmara e depois eleito em disputa conturbada; mandato marcado por crises e afastamentos. |

| 2015–2016 | Márcio Hastenreiter Catão (PSD) | Vice que assumiu após afastamento de Arlei Rosa; governo curto. |

| 2016–2018 | Mário de Oliveira Tricano (PP) | Voltou ao cargo após disputa judicial referente às eleições de 2012; permaneceu até 2018. |

| 2018 (maio–dezembro) | Pedro Gil Ferreira de Paula (interino) | Presidente da Câmara que assumiu brevemente em transição política antes das eleições suplementares. |

| 2018–2024 | Vinicius Claussen (PSC/PL) | Eleito em eleição suplementar com diferença de 22 votos; reeleito em 2020 e permaneceu até o fim do mandato. |

| 2025–2028 | Leonardo Vasconcellos (UNIÃO) | Eleito em 2024 para mandato que começa em 1º de janeiro de 2025 e vai até 31 de dezembro de 2028. |
E fica a pergunta que ecoa nas ruas da cidade: o eleitor está preparado para mais três anos de agonia administrativa? Ou, finalmente, Teresópolis romperá com o histórico de escolhas que só produziram atraso, desgaste e descrédito político?

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