Presidente iraniano fala nesta quarta-feira (23), em Nova York, em meio à guerra entre Irã e Estados Unidos e a contatos diplomáticos que podem abrir espaço para novas negociações.

Publicado em 23 de setembro de 2026
O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, discursa nesta quarta-feira (23) na Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova York, em um dos momentos mais delicados das relações entre Teerã e Washington. A fala ocorre um dia depois de o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, subir à tribuna da ONU e afirmar que o Irã poderá ser “aniquilado” caso não seja alcançado um acordo.
O pronunciamento de Pezeshkian é acompanhado com atenção diante da possibilidade de o líder iraniano responder diretamente às ameaças americanas e apresentar a posição de Teerã sobre a guerra, o programa nuclear e as condições para uma eventual negociação.
Trump coloca acordo e “aniquilação” como alternativas
Durante seu discurso na terça-feira (22), Trump afirmou que o Irã teria duas possibilidades: chegar a um acordo que permita ao país reconstruir sua economia e alcançar uma posição de maior estabilidade ou enfrentar uma escalada militar que, segundo ele, poderia levar à “aniquilação” do país.
O presidente americano também acusou o Irã de ser o principal patrocinador do terrorismo no mundo e pediu que outros países ampliem o isolamento econômico de Teerã.
Ao mesmo tempo, Trump afirmou acreditar que um acordo poderá ser alcançado depois das eleições de meio de mandato dos Estados Unidos, previstas para novembro.
A declaração combina ameaça militar com uma sinalização de que Washington ainda considera possível uma solução negociada.
Irã reage às declarações
Após o discurso de Trump, autoridades iranianas advertiram os Estados Unidos sobre as consequências de novos ataques.
O porta-voz do Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica, Hossein Mohebbi, afirmou que Washington não obteria resultados positivos com uma nova ofensiva. A reação ocorreu enquanto representantes dos dois países mantêm contatos indiretos em Nova York.
Pezeshkian chegou a Nova York na terça-feira e, antes da viagem, afirmou que pretendia defender firmemente as posições iranianas e utilizar a Assembleia Geral para apresentar ao mundo a situação enfrentada pelo país e as consequências da guerra.
Contatos diplomáticos continuam nos bastidores
Apesar da retórica pública, representantes de Estados Unidos e Irã mantiveram conversas por meio de intermediários.
O enviado americano Steve Witkoff e o conselheiro Jared Kushner participaram de uma reunião de aproximadamente três horas com o ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araghchi. Trump classificou o encontro como positivo e afirmou haver “muito impulso” em direção a um possível acordo.
Os detalhes das negociações não foram divulgados integralmente. Segundo relatos, questões relacionadas ao Estreito de Ormuz estão entre os temas discutidos.
O estreito é uma das principais rotas de transporte de petróleo do mundo e tem papel estratégico na atual crise. Qualquer interrupção prolongada na região pode provocar impactos sobre os mercados internacionais de energia.
Possível encontro entre Trump e Pezeshkian
Outro ponto de atenção durante a Assembleia Geral é a possibilidade de um encontro direto entre os presidentes americano e iraniano.
Até o momento, não havia uma reunião oficial agendada entre Trump e Pezeshkian. Autoridades iranianas indicaram que o presidente não teria planos de se encontrar com o líder americano, embora Trump tenha demonstrado abertura para um eventual encontro.
A possibilidade de uma conversa direta ganhou importância justamente porque os dois países estão envolvidos em um conflito militar, enquanto seus representantes tentam manter canais diplomáticos abertos.
Dentro do próprio Irã, entretanto, há diferentes posições sobre a estratégia que Pezeshkian deveria adotar. Setores mais conservadores criticam qualquer aproximação com Washington, enquanto políticos reformistas defendem que a diplomacia seja utilizada para tentar encerrar o conflito.
Discurso ocorre em meio à guerra
A participação de Pezeshkian acontece em um contexto muito diferente de outras aparições de presidentes iranianos na ONU. Atualmente, Estados Unidos e Irã estão envolvidos em um conflito direto, com consequências que ultrapassam as fronteiras dos dois países.
A crise também tem repercussões sobre o mercado de energia, a segurança marítima e os demais países do Oriente Médio.
O cenário torna o pronunciamento desta quarta-feira particularmente relevante para avaliar se Teerã adotará uma postura predominantemente de confronto ou se deixará aberta uma possibilidade de avanço nas negociações.
ONU vira palco de pressão diplomática
A Assembleia Geral reúne representantes dos 193 países-membros das Nações Unidas e, tradicionalmente, funciona como um dos principais espaços para manifestações diplomáticas de governos em momentos de crise.
Neste ano, a presença simultânea de autoridades envolvidas em conflitos e negociações aumenta a importância dos encontros bilaterais realizados nos corredores da organização.
O discurso de Pezeshkian deverá, portanto, ser observado não apenas pelas declarações dirigidas aos Estados Unidos, mas também por eventuais sinais sobre as condições apresentadas pelo Irã para um cessar-fogo ou para a retomada das negociações.
A expectativa agora está concentrada nas palavras do presidente iraniano e em possíveis sinais de abertura diplomática após a escalada verbal de Trump.

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