O foco principal do Andadas Ecológicas é enfrentar o avanço dos resíduos sólidos na Baía de Guanabara.

Publicado em 25 de fevereiro de 2026
Em Magé, na Baixada Fluminense, a ONG Guardiões do Mar anunciou o lançamento do projeto Andadas Ecológicas, uma iniciativa voltada para o combate ao lixo, a conservação ambiental e o fortalecimento das comunidades tradicionais da região. A proposta, que nasceu de quase três décadas de atuação da ONG na Baía de Guanabara, pretende integrar ações de limpeza, educação e geração de renda com protagonismo comunitário.
Objetivos do projeto
O foco principal do Andadas Ecológicas é enfrentar o avanço dos resíduos sólidos na Baía de Guanabara com atenção especial ao entorno do Rio Suruí, em Magé e promover o protagonismo dos povos tradicionais da região, como pescadores artesanais e catadores de caranguejo.
O projeto tem duração prevista de 26 meses e contará com:
Limpeza de manguezais, rios e praias, incluindo a primeira limpeza completa das margens do Rio Suruí, da foz à nascente;
Criação e formação de ecoclubes, com atividades educativas e práticas socioambientais;
Pagamento por Serviços Ambientais (PSA) a pescadores e catadores durante períodos de defeso;
Tecnologia social inédita, a chamada Moeda Azul – Mangal, que incentiva o descarte correto de resíduos por meio de recompensas.
Como vai funcionar na prática
Ação de conservação ambiental
No eixo de conservação, a limpeza será intensiva e sistemática, com campanhas que irão:
mobilizar cerca de 180 pescadores artesanais e catadores de caranguejo para atuar na remoção de lixo dos ecossistemas costeiros e aquáticos;
ampliar a atuação da já tradicional Operação LimpaOca, força-tarefa da ONG que já coletou mais de 120 toneladas de resíduos em ambientes costeiros e marinhos;
melhorar as condições ambientais que afetam diretamente a pesca artesanal e a regeneração natural do manguezal;
promover ações de Turismo de Base Comunitária, fortalecendo a economia local.
Os resíduos coletados em boas condições serão destinados a cooperativas de reciclagem, enquanto o restante será encaminhado para aterros sanitários. Além disso, o projeto inclui uma ação piloto de descarte domiciliar, incentivando os moradores a adotarem práticas de reciclagem e descarte correto em suas casas.
Educação ambiental e protagonismo jovem
No eixo educacional, o programa prevê:
formação continuada de 10 jovens de 16 a 18 anos, que receberão bolsas e serão capacitados para atuar em atividades ambientais ao longo de 18 meses;
capacitação de um grupo de três jovens de 18 a 22 anos como agentes ambientais comunitários, responsáveis por apoiar a coleta porta a porta e a gestão dos pontos de entrega voluntária de resíduos;
um programa de sensibilização comunitária focado na importância da conservação dos manguezais e no consumo consciente.
Moeda social: Moeda Azul – Mangal
Uma das novidades do projeto é a implantação da Moeda Azul – Mangal, um sistema de recompensa criado para promover o descarte correto de resíduos e reforçar práticas sustentáveis na comunidade. Por meio de eventos chamados Bazares Azuis, os participantes poderão trocar a moeda por produtos e itens obtidos por meio de doações ou recompensas do projeto.
Expectativas e impacto
Para os moradores e lideranças locais, o Andadas Ecológicas representa mais do que uma ação de limpeza: é uma oportunidade de transformar a relação entre a comunidade e o meio ambiente, além de fortalecer a economia local e gerar um legado duradouro de cuidado ambiental e protagonismo social.
Pedro Belga, presidente da ONG Guardiões do Mar, ressalta que a iniciativa foi construída a partir da escuta ativa do território ao longo dos últimos 28 anos e não se limita a cumprir uma exigência ambiental, mas busca promover transformações reais com participação comunitária.

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