Garotinho volta ao centro do jogo após gesto político da família Cozzolino.

A corrida pelo governo do Rio de Janeiro ganha um novo capítulo político nesta semana com um movimento inesperado na Baixada Fluminense: a família Cozzolino, tradicional núcleo de poder em Magé e responsável pelo comando do Democracia Cristã (DC) no estado, sinaliza apoio ao ex-governador Anthony Garotinho como alternativa à chapa liderada pelo prefeito Eduardo Paes (PSD) ao Palácio Guanabara.
Racha local e reconfiguração das alianças
O gesto dos Cozzolino descrito por aliados como uma “abertura das portas” do DC para Garotinho foi interpretado como reação direta à escolha de Jane Reis (MDB) como candidata a vice na chapa de Paes. Jane é irmã do ex-prefeito de Duque de Caxias Washington Reis, figura-chave da família Reis, que mantém presença política consolidada na Baixada.
A aliança Paes/Reis, oficializada há poucos dias, desencadeou uma ruptura nas relações políticas regionais e expôs um antagonismo histórico entre os clãs Reis e Cozzolino, que remontam a décadas de disputas eleitorais na região.
Garotinho ressurgindo como alternativa
Fontes políticas e colunistas ouvidos pela nossa reportagem apontam que, nos bastidores, o nome de Garotinho tem voltado a circular com mais força como alternativa ao atual arranjo de alianças principalmente entre lideranças descontentes com a escolha de Reis para a vice.
Segundo reportagens recentes, pesquisas de intenção de voto registradas no Tribunal Superior Eleitoral mostram Garotinho com cerca de 14,2% das intenções de voto, praticamente três vezes mais do que Reis, que aparece com aproximadamente 5,7%. Esses números, embora preliminares e sujeitos a variações conforme o calendário eleitoral avança, reforçam a percepção de que a opção por Reis pode ter menos apelo eleitoral do que a alternativa impulsionada pela família Cozzolino.
Em reação às movimentações, Garotinho chegou a declarar publicamente que não acompanhará a campanha de Paes e Reis, sinalizando independência da chapa e alimentando especulações sobre sua própria candidatura ao governo estadual pelo DC.
Estratégia do Democracia Cristã
O Democracia Cristã, legenda que tem presença histórica em Magé e cuja influência na política fluminense é impulsionada pelo peso eleitoral dos Cozzolino, vinha estudando até recentemente se manteria um caminho de apoio a Paes ou seguiria com candidatura própria. Entre os nomes cotados estão justamente Garotinho e o ex-governador Wilson Witzel, outro nome de peso no tabuleiro político estadual.
A indicação de Jane Reis como vice acabou surpreendendo líderes do DC inclusive porque a vaga originalmente estaria sendo negociada com o grupo ligado ao partido de Magé — e parece ter acelerado o recalibrar de posições.
Contexto eleitoral estadual
O cenário do Rio de Janeiro em 2026 é marcado por um amplo tabuleiro de forças, com lideranças tradicionais, novos atores e uma mobilização intensa nas regiões estratégicas. A Baixada Fluminense, que concentra cerca de 30% do eleitorado estadual, volta a ser vista como um ponto-chave que pode influenciar os rumos da eleição.
Para analistas ouvidos, a movimentação dos Cozzolino pode indicar que a disputa interna na esquerda e no centro político reflita tensões maiores entre lideranças regionais e articulações de poder com a possibilidade de que forças localizadas consigam influenciar decisivamente as preferências do eleitorado em outubro.

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