Pesquisa mostra avanço histórico da conectividade no país, com inclusão digital das classes mais baixas, mas revela diferenças no tipo de conteúdo consumido.

Publicado em: 13 de abril de 2026
O acesso à internet no Brasil atingiu um novo marco histórico, mas ainda reflete desigualdades sociais importantes. Dados da pesquisa TIC Domicílios, divulgada nesta semana pelo Comitê Gestor da Internet no Brasil, mostram que 86% dos domicílios brasileiros já estão conectados o maior índice desde o início da série histórica, em 2015.
Naquele ano, apenas 51% das residências tinham acesso à rede. Em uma década, o número praticamente dobrou, alcançando cerca de 157 milhões de usuários. Quando considerados acessos indiretos por aplicativos, esse total chega a aproximadamente 163 milhões de pessoas.
Inclusão digital avança nas classes mais baixas
O crescimento mais expressivo ocorreu entre as famílias de menor renda. Em 2015, apenas 15% dos domicílios das classes D e E tinham acesso à internet. Em 2025, esse percentual saltou para 73%, representando um avanço significativo na inclusão digital.
Somente no último ano, o aumento foi de cinco pontos percentuais nesse grupo, indicando que a expansão da conectividade continua em ritmo acelerado entre os mais pobres.
Esse movimento é atribuído, principalmente, à popularização dos smartphones, à ampliação da cobertura de redes móveis e a políticas públicas e iniciativas privadas voltadas à inclusão digital.
Diferenças no uso ainda persistem
Apesar do avanço no acesso, a pesquisa revela que o tipo e a qualidade do uso da internet ainda variam bastante de acordo com a renda familiar.
Enquanto usuários de maior renda utilizam a rede para atividades mais diversificadas como educação, serviços financeiros, trabalho remoto e consumo de conteúdo informativo , nas classes mais baixas o uso tende a se concentrar em redes sociais, aplicativos de mensagens e entretenimento.
Além disso, limitações como velocidade de conexão, acesso restrito a pacotes de dados e menor letramento digital impactam diretamente a forma como essas populações utilizam a internet.
Desafio agora é a qualidade do acesso
Especialistas apontam que o Brasil já superou, em grande parte, o desafio do acesso inicial, mas enfrenta agora uma nova etapa: garantir qualidade e equidade no uso da internet.
Isso inclui melhorar a infraestrutura, ampliar o acesso à banda larga de alta velocidade e investir em educação digital, para que a população possa utilizar a rede de forma mais produtiva e segura.
A pesquisa reforça que a inclusão digital não se resume à conexão, mas envolve também a capacidade de transformar o acesso em oportunidades reais de desenvolvimento social e econômico.

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