Livro Jornada das Gerações resgata a trajetória de Hilda Silva dos Reis, de 98 anos, mãe do Babalorixá Paulo d’Ogun e referência familiar e cultural em Piabetá.

Publicado em 26 de setembro de 2026
A Faculdade de Educação da Baixada Fluminense (FEBF), unidade da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) em Duque de Caxias, foi palco de um encontro marcado pela valorização da memória, da ancestralidade e das relações entre diferentes gerações. A instituição recebeu o lançamento do livro Jornada das Gerações: entre valores, sonhos e conexões, obra dedicada à trajetória de Hilda Silva dos Reis, de 98 anos, matriarca cuja história familiar está profundamente ligada à cultura e à religiosidade afro-brasileira na Baixada Fluminense.
A cerimônia reuniu familiares de Hilda, integrantes da comunidade acadêmica e representantes da comunidade religiosa, em um momento de reconhecimento à trajetória de uma mulher cuja história atravessa gerações.
Hilda Silva dos Reis é mãe biológica do Babalorixá Paulo d’Ogun, liderança religiosa do Terreiro Ilê Axé Ogun Alakoro do Quilombo de Bongaba, localizado em Piabetá, no município de Magé. A presença de sua história na publicação amplia o debate sobre a importância da transmissão de valores, saberes e experiências entre gerações.
LIVRO VALORIZA MEMÓRIA E ANCESTRALIDADE
A proposta de Jornada das Gerações está centrada justamente na relação entre passado, presente e futuro. A obra utiliza a trajetória de Hilda como ponto de partida para refletir sobre os vínculos familiares, os valores transmitidos ao longo do tempo e a importância de preservar histórias que muitas vezes permanecem restritas ao ambiente doméstico ou comunitário.
Aos 98 anos, Hilda representa uma geração que testemunhou profundas transformações sociais e culturais. Sua trajetória passa a ser registrada em uma obra que busca transformar a memória individual em patrimônio afetivo e histórico para as gerações seguintes.
O lançamento na FEBF também conferiu ao momento uma dimensão acadêmica. A universidade, como espaço de produção e circulação de conhecimento, recebeu uma narrativa construída a partir da experiência familiar, da memória e da ancestralidade, aproximando saberes comunitários do ambiente universitário.
A IMPORTÂNCIA DA FAMÍLIA NA TRANSMISSÃO DE VALORES
Durante a homenagem, a trajetória de Hilda foi apresentada como exemplo da força dos vínculos familiares e da capacidade das diferentes gerações de manter vivas histórias, tradições e ensinamentos.
A relação entre mãe e filho também ganha destaque. Paulo d’Ogun, liderança do Terreiro Ilê Axé Ogun Alakoro do Quilombo de Bongaba, desenvolve sua atuação religiosa a partir de uma tradição que tem na ancestralidade um de seus elementos fundamentais.
Nesse contexto, homenagear Hilda significa também reconhecer a origem de uma trajetória que alcança outras pessoas por meio da religião, da cultura e da convivência comunitária.
TERREIRO DE BONGABA E A CULTURA AFRO-BRASILEIRA
Localizado em Piabetá, Magé, o Terreiro Ilê Axé Ogun Alakoro do Quilombo de Bongaba está inserido em uma região cuja história possui forte presença de comunidades tradicionais e manifestações da cultura afro-brasileira.
A valorização dessas trajetórias contribui para preservar a memória de grupos que desempenharam papel importante na formação cultural da Baixada Fluminense. O registro de histórias familiares, portanto, ultrapassa o âmbito privado e passa a integrar uma memória coletiva.
A homenagem prestada a Hilda durante o lançamento do livro reforça essa perspectiva: a história de uma mulher de 98 anos torna-se também uma oportunidade para refletir sobre ancestralidade, identidade, família, religiosidade e transmissão de conhecimento.
UNIVERSIDADE COMO ESPAÇO DE MEMÓRIA E DIÁLOGO
A realização do lançamento na FEBF/UERJ Caxias acrescentou ao evento uma dimensão de diálogo entre universidade e sociedade.
Ao abrir espaço para uma obra construída em torno da memória familiar e da ancestralidade, a instituição se tornou cenário para uma celebração que aproximou gerações e diferentes formas de produção de conhecimento.
Mais do que apresentar uma publicação, o encontro colocou em evidência a necessidade de preservar histórias de vida e reconhecer o papel dos mais velhos na transmissão de experiências, valores e referências culturais.
Aos 98 anos, Hilda Silva dos Reis foi o centro de uma homenagem que transformou sua trajetória em memória compartilhada, reunindo familiares, comunidade religiosa e representantes do meio acadêmico em torno de uma mesma ideia: a de que conhecer as próprias raízes é também compreender melhor o caminho percorrido pelas gerações que vieram antes.

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