Vítima atuava instalando rede de internet em áreas dominadas por facções criminosas.

Um homem identificado como Joaonilson Silva Gonçalves, conhecido como Junior Silva, de 29 anos, foi assassinado a tiros na tarde desta sexta-feira (data a atualizar) no município de Magé, na Baixada Fluminense. De acordo com as primeiras informações da Polícia Civil, a vítima era dono de um provedor de internet local e teria sido executada por criminosos após se recusar a pagar “taxa” ao tráfico e continuar instalando rede de internet em áreas controladas por facções rivais.
O crime ocorreu na Rodovia BR-116, na altura do km 123, em Magé, na Baixada. Testemunhas relataram que homens armados em duas motos cercaram o carro da vítima e efetuaram diversos disparos à queima-roupa. Junior morreu no local antes da chegada do socorro.
Atividade ameaçada por facções
Junior trabalhava no ramo de telecomunicações e expandia sua rede de internet para comunidades que sofrem com a falta de serviços essenciais. Segundo relatos de moradores, ele teria recebido ameaças constantes de criminosos, que disputam o controle de serviços clandestinos nas favelas, como “gatonet” e internet pirata.
De acordo com investigadores da 66ª DP (Piabetá), uma das linhas de investigação aponta para retaliação criminosa. “Há indícios de execução premeditada, possivelmente ligada ao domínio de território e cobrança ilegal por instalação de internet em áreas dominadas”, afirmou um policial sob anonimato.
Crime choca moradores
Nas redes sociais, amigos descreveram Junior como um jovem trabalhador, empreendedor e pai de família. Ele era conhecido pela bravura ao atender clientes em localidades das quais até empresas maiores se afastam devido ao domínio armado.
Moradores temem represálias e evitam dar declarações formais. “Ele só queria trabalhar. Não mexia com ninguém. Foi morto porque não se abaixou para bandido”, escreveu um conhecido.
Perícia e investigação
A área foi isolada pela Polícia Militar do 34º BPM (Magé). Agentes da Divisão de Homicídios da Baixada Fluminense (DHBF) estiveram no local e recolheram cápsulas de pistola calibre 9mm. Câmeras de segurança da região estão sendo analisadas.
Até o momento, ninguém foi preso. O caso foi registrado como homicídio doloso e segue sob investigação.
A violência no setor de internet na Baixada
Casos como este têm se tornado comuns na Baixada Fluminense, onde facções criminosas controlam o fornecimento clandestino de TV e internet e exigem pagamento de taxas para permitir a atuação de empresas e provedores independentes. Quem não aceita a extorsão é ameaçado, pressionado ou, como neste caso, eliminado.
Vale ressaltar que outros provedores de Magé, abandonaram o segmento de fornecimento de internet em bairros dominados por facções.

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