Movimentações de bastidores, decisões judiciais e reposicionamentos partidários redesenham a corrida pelo Palácio Guanabara.

Publicado em: 11 de janeiro de 2026
A sucessão ao governo do estado do Rio de Janeiro entrou em uma nova fase e passa por reacomodações que podem alterar significativamente o desenho da disputa eleitoral. Rupturas políticas, indefinições jurídicas e o surgimento de novos protagonistas colocam em xeque alianças até então consideradas consolidadas e abrem espaço para alternativas competitivas no cenário fluminense.

Entre os fatos que movimentaram os bastidores nos últimos dias está a repercussão de sinais de esfriamento na relação entre o Palácio do Planalto e a pré-candidatura do prefeito do Rio, Eduardo Paes (PSD), que lidera pesquisas de intenção de voto. No PT, cresce a avaliação de que a aliança com Paes não tem sido acompanhada de gestos concretos de reciprocidade política, o que alimenta pressões internas por um caminho próprio na disputa estadual.

Outros fatores que pesam no ambiente eleitoral são os desdobramentos judiciais envolvendo pré-candidatos tradicionais. O ex-deputado federal e ex-secretário estadual de Transportes Washington Reis (MDB) enfrenta entraves legais decorrentes de condenação em processo relacionado a fraude imobiliária em Duque de Caxias, o que mantém sua situação eleitoral sob permanente incerteza. Já no campo do União Brasil, lideranças influentes lidam com questionamentos e investigações que enfraquecem a construção de uma candidatura sólida e consensual.
Já no União Brasil, o cenário se agravou de forma definitiva com a prisão do presidente da Assembleia Legislativa do Rio, Rodrigo Bacellar, o que praticamente o retira do jogo eleitoral. A saída de Bacellar da disputa não apenas enfraquece o campo político que orbitava seu nome, como também desmonta articulações que vinham sendo construídas com apoio de setores do Legislativo estadual.
Paralelamente, o governador Cláudio Castro (PL), que permanece no comando do estado até o início de abril, trabalha para consolidar sua pré-candidatura ao Senado. Até a desincompatibilização do cargo, Castro pretende fortalecer aliados, organizar sua base política e encerrar sua gestão com uma marca alinhada ao grupo que o sustenta, antes de deixar o governo — ainda que temporariamente — sob comando do Judiciário fluminense.

É nesse vácuo de definições que ganha força, nos bastidores e publicamente, o nome de André Ceciliano (PT). Atual chefe da Secretaria Especial de Assuntos Federativos da Presidência da República, Ceciliano surge como uma alternativa capaz de unificar setores do partido e dialogar com forças políticas fora do campo tradicional da esquerda.
Perfil equilibrado e Moderador
Com perfil reconhecidamente moderado e conciliador, Ceciliano construiu sua trajetória política a partir da Baixada Fluminense. Nascido em Nilópolis, com passagem por Japeri e raízes políticas em Paracambi — cidade que governou por dois mandatos —, ele carrega um histórico de atuação voltado ao diálogo institucional. Sua eleição à presidência da Assembleia Legislativa do Rio, em 2019, com apoio plural, é frequentemente citada como exemplo de sua capacidade de articulação em ambientes políticos complexos.
Aliados avaliam que essa origem metropolitana e a conexão direta com o eleitorado da Baixada podem se tornar um diferencial estratégico. Enquanto Eduardo Paes concentra maior força eleitoral na capital e na zona sul carioca, Ceciliano dialoga com regiões historicamente decisivas nas eleições estaduais, onde demandas por políticas públicas estruturantes seguem latentes.
Caso se confirme, a disputa pelo Palácio Guanabara tende a refletir um embate simbólico entre projetos com bases territoriais distintas, além de expor o reposicionamento do PT no estado após anos de protagonismo reduzido. Internamente, o partido avalia que lançar um nome próprio não apenas fortalece sua identidade política, como também reposiciona a legenda no centro do debate fluminense.
Diante de um quadro ainda em formação, com alianças frágeis e cenários abertos, a eleição estadual de 2026 promete ser marcada menos por favoritismos consolidados e mais pela capacidade de articulação, leitura política e conexão com diferentes regiões do estado. Como costuma ocorrer na política do Rio, o tabuleiro segue em movimento — e, desta vez, com novas peças ganhando centralidade.
A sorte está lançada. E, como diz o velho adágio, que se dê a César o que é de César.

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