RIO DE JANEIRO REGISTRA 14 CASOS DE FEBRE MACULOSA E QUATRO MORTES EM 2026

Doença transmitida pela picada de carrapatos infectados exige atenção redobrada entre julho e novembro, período considerado de maior risco no estado.

Publicado em 11 DE AGOSTO DE 2026

O estado do Rio de Janeiro registrou 14 casos de febre maculosa e quatro mortes em 2026, segundo dados da Secretaria de Estado de Saúde (SES-RJ) referentes ao período até 9 de agosto. O cenário chama atenção principalmente durante os meses de inverno e primavera, quando aumenta a circulação de carrapatos em áreas rurais e de mata.

O caso mais recente foi identificado em São Fidélis, no Norte Fluminense, após a morte do veterinário Gabriel Serra, de 30 anos. A ocorrência reforça o alerta para moradores e pessoas que trabalham ou circulam frequentemente em regiões rurais, áreas de vegetação e locais onde há presença de animais que podem carregar carrapatos.

Segundo informações da Fiocruz, a doença apresenta taxa de letalidade de aproximadamente 28% nos registros considerados. A gravidade está relacionada principalmente à rapidez com que o diagnóstico é realizado e o tratamento iniciado.

PERÍODO DE MAIOR ALERTA

O período entre julho e novembro é considerado de maior atenção para a febre maculosa. No interior do estado, o risco é especialmente observado em municípios com áreas rurais e de vegetação, onde há maior possibilidade de contato com carrapatos.

Entre as cidades citadas nos registros estão Campos dos Goytacazes, Italva, Itaperuna, Macaé e Porciúncula, além de outros municípios do interior fluminense.

A doença também é conhecida popularmente como “doença do carrapato”. Ela é causada por bactérias do gênero Rickettsia e pode evoluir rapidamente para quadros graves quando não identificada e tratada adequadamente.

COMO OCORRE A TRANSMISSÃO

A transmissão para seres humanos ocorre principalmente por meio da picada de carrapatos infectados. O risco aumenta quando a pessoa permanece em locais onde esses parasitas estão presentes, especialmente em áreas rurais, matas, pastagens e regiões com circulação de animais.

É importante destacar que não é necessário que o carrapato permaneça por muito tempo no corpo para que exista risco de transmissão, por isso a recomendação é fazer uma inspeção no corpo após permanecer em áreas de risco e retirar o parasita o mais rapidamente possível.

Animais domésticos também podem transportar carrapatos para dentro de casa. Por isso, cães e outros animais que frequentam áreas rurais ou de mata devem receber acompanhamento veterinário e medidas adequadas de prevenção contra parasitas.

SINTOMAS PODEM SER CONFUNDIDOS COM GRIPE OU DENGUE

Um dos principais desafios para o diagnóstico é que os primeiros sintomas podem ser semelhantes aos de outras doenças comuns.

Entre os sinais estão:

  • Febre alta;
  • Dor de cabeça intensa;
  • Dor muscular e no corpo;
  • Mal-estar e fraqueza;
  • Náuseas e vômitos;
  • Manchas avermelhadas na pele.

As manchas podem surgir alguns dias após o início da febre e frequentemente aparecem também nas palmas das mãos e nas plantas dos pés, embora possam atingir outras regiões do corpo.

Nem todas as pessoas infectadas apresentam manchas nas primeiras fases da doença. Por isso, a ausência desse sinal não deve ser utilizada para descartar a possibilidade de febre maculosa.

DIAGNÓSTICO E TRATAMENTO

O diagnóstico é feito a partir da avaliação médica, levando em consideração os sintomas, o histórico do paciente e principalmente a possibilidade de contato com carrapatos ou permanência em áreas de risco.

O tratamento deve ser iniciado o mais rapidamente possível quando houver suspeita clínica, já que a doença pode evoluir para formas graves.

Entre as complicações possíveis estão alterações neurológicas, problemas respiratórios, comprometimento dos rins, alterações cardiovasculares e outras manifestações que podem levar à morte.

Por isso, pessoas que apresentarem febre, dor de cabeça, dores no corpo ou manchas na pele após frequentarem áreas de risco devem procurar atendimento médico e informar ao profissional de saúde sobre a possível exposição a carrapatos.

COMO SE PROTEGER

Algumas medidas simples podem reduzir o risco de contato com carrapatos:

  • Evitar permanecer em áreas de vegetação alta sem proteção;
  • Usar calças compridas, blusas de manga longa e calçados fechados em áreas de risco;
  • Dar preferência a roupas claras, que facilitam a identificação do carrapato;
  • Fazer uma inspeção cuidadosa no corpo depois de retornar de áreas rurais ou de mata;
  • Verificar roupas, calçados e equipamentos utilizados durante a permanência nesses locais;
  • Examinar animais domésticos que tenham frequentado áreas de risco;
  • Procurar atendimento médico diante do surgimento de sintomas após possível contato com carrapatos.

ALERTA PARA O INTERIOR FLUMINENSE

O aumento da atenção neste período do ano é especialmente importante no interior do estado, onde atividades profissionais e de lazer podem aumentar a exposição aos carrapatos.

Profissionais que trabalham diretamente com animais, como veterinários, trabalhadores rurais, tratadores e outras pessoas que frequentam áreas de mata e pastagens, devem adotar medidas preventivas de forma permanente.

A recomendação das autoridades de saúde é que a população não ignore sintomas compatíveis com a doença, principalmente quando existe histórico de contato com carrapatos.

Diante da possibilidade de exposição, informar esse histórico ao médico pode ser fundamental para acelerar a suspeita e o início do tratamento.

SERVIÇO

FEBRE MACULOSA — PRINCIPAIS PONTOS

Transmissão: pela picada de carrapato infectado.

Principais sintomas: febre, dor de cabeça, dores no corpo, fraqueza e manchas na pele.

Período de maior atenção: de julho a novembro.

Áreas de maior risco: regiões rurais, áreas de mata, pastagens e locais com circulação de animais e carrapatos.

Atenção: sintomas após possível contato com carrapatos devem ser avaliados rapidamente por um profissional de saúde.

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