Medida anunciada pelo governo Donald Trump entra em vigor nesta sexta-feira (05) e amplia mecanismos de sanções e combate internacional às facções brasileiras.

Publicado em: 05 de junho de 2026
Os Estados Unidos oficializaram nesta sexta-feira (05) a classificação das facções criminosas Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas estrangeiras. A decisão foi anunciada pelo governo do presidente Donald Trump e amplia o alcance das autoridades americanas para aplicar sanções econômicas, bloqueio de ativos e ações de contraterrorismo contra grupos ligados às organizações.
Além da inclusão na lista de Organizações Terroristas Estrangeiras (FTO, na sigla em inglês), os grupos também passaram a ser enquadrados como Terroristas Globais Especialmente Designados (SDGT), categoria utilizada pelos Estados Unidos para restringir movimentações financeiras e ampliar instrumentos legais de investigação internacional.
Segundo o Departamento de Estado norte-americano, o PCC e o CV representam estruturas criminosas com atuação transnacional e influência em redes ilícitas além do território brasileiro. O governo americano sustenta que as facções possuem elevado potencial de violência e impacto regional.
Desde que a intenção da medida foi anunciada, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva intensificou articulações diplomáticas para tentar impedir a classificação. O Palácio do Planalto argumenta que a decisão pode abrir precedentes para interferências externas em temas de segurança pública e gerar efeitos econômicos sobre empresas brasileiras sem relação direta com o crime organizado.
Especialistas em relações internacionais e segurança avaliam que os impactos podem ir além do combate ao crime. Entre os possíveis efeitos estão o aumento da fiscalização sobre operações financeiras, endurecimento de regras para empresas que atuam em áreas de risco e mudanças na cooperação policial entre Brasil e Estados Unidos. Há também preocupação com o compartilhamento de inteligência e o grau de sigilo das investigações conjuntas.
A classificação ocorre em meio ao endurecimento da política externa americana para a América Latina sob a justificativa de combate ao chamado “narcoterrorismo”. Apesar da entrada em vigor da medida, o governo brasileiro mantém diálogo diplomático com Washington e reforça que continuará conduzindo o enfrentamento ao crime organizado dentro da legislação e das instituições nacionais.

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