Projetos sociais na Baixada podem fechar sem verba de R$ 50 mil

O dinheiro deveria ter sido depositado em dezembro do ano passado.

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O telefone fixo não funciona mais, a impressora também não, o papel para escrever já não é encontrado com facilidade. O cenário revela a penúria em que se encontram três projetos sociais da Baixada Fluminense por causa da falta do repasse de R$ 50 mil do governo estadual. A verba é destinada a organizações que desenvolvem políticas de enfrentamento contra doenças sexualmente transmissíveis (DST) e hepatites virais. O dinheiro deveria ter sido depositado em dezembro do ano passado.

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Em Mesquita, no bairro Jacutinga, o Centro Social Fusão é especializado no encaminhamento de pessoas com tuberculose para unidades de saúde, além da distribuição de milhares de camisinhas para os moradores da região. Além disso, a ONG promove atividades para a comunidade, como aulas de capoeira, jiu-jitsu e balé. Mas, sem o repasse, o espaço corre o risco de fechar.

— Não precisamos de muito. Nosso gasto mensal é de cerca de R$ 1 mil. Mas não temos condições. Estamos tirando do próprio bolso, da nossa casa, para manter as atividades — afirmou Ana Leila Gonçalves, de 67 anos, fundadora e secretária social do Fusão, aberto em 1999.

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A quantia de R$ 50 mil seria dividida entre as ONGs Fusão, Associação de gays e amigos de Nova Iguaçu e Mesquita (Aganim) e Associação de mulheres de Edson Passos (Amepa). Ou seja, pouco mais de R$ 16 mil para cada instituição.

— Apresentamos toda a documentação necessária. Ganhamos o direito de promover políticas de prevenção com repasse público, mas o dinheiro não veio. Com essa crise, está difícil conseguir algum parceiro privado — lamentou Neno Ferreira, de 45 anos, presidente e fundador da Aganim, que funciona desde 1988.

Arraiá para arrecadar donativos

Nos próximos dias 15, 16 e 17, as três ONGs se unem para a realização de uma festa julina no Campo do Cruzeiro, na Avenida Antônio Borges, em Jacutinga, Mesquita. O objetivo é arrecadar dinheiro e alimentos para o funcionamento das instituições nos próximos meses. Os organizadores pedem que quem for leve 1kg de alimento não-perecível.

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Moradora do bairro desde que nasceu, Bárbara Martins de Oliveira, de 39 anos, vai ajudar na festividade. Ela já precisou do apoio da ONG Fusão para o tratamento de tuberculose em parentes próximos. A doméstica teme o fechamento do espaço.

— O trabalho que eles fazem é muito bonito. A população aqui é bem pobre e não tem condições de ajudar mais. O projeto é de saúde, mas também de educação. Eles tiram muita gente do tráfico ao dar oportunidade em áreas como a capoeira e o balé — contou Bárbara

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esta sexta-feira, representantes das ONGs Aganim e Amepa estarão na Praça da Telemar, no Centro de Mesquita, a partir das 19h, para o evento Caldo de Cultura e irão recolher donativos e contribuições de quem quiser ajudar na manutenção dos espaços.

O governo do estado, por meio da Secretaria de Saúde, explicou que está apurando internamente o porquê de a verba ainda não ter sido liberada para as ONGs. A secretaria afirmou que é prematuro dizer o motivo, mas que pode ter ocorrido algum problema de documentação com as entidades. O órgão supôs ainda que as prefeituras podem não ter passado todo o procedimento necessário para garantir a verba, que vem do Fundo estadual da Saúde.

 

 

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