Coordenada pelo delegado Antônio Silvino Teixeira, titular da 74ª DP de Alcântara, operação mobilizou cerca de 90 policiais e cumpriu mandados em Niterói, São Gonçalo e Maricá; investigação identificou suspeitos de envolvimento em crimes de violência sexual, tortura e produção de vídeos criminosos.

Publicado em: 28 de outubro de 2026
Uma investigação conduzida pela 74ª Delegacia de Polícia (Alcântara), sob a liderança do delegado titular Dr. Antônio Silvino Teixeira, resultou na deflagração, na manhã desta quarta-feira (28), da Operação NXIVM, destinada a desarticular uma rede criminosa investigada por estupros, exploração sexual de adolescente, tortura e produção e comercialização de vídeos contendo violência sexual.
A ação mobilizou aproximadamente 90 policiais civis e militares, distribuídos em 30 viaturas, para o cumprimento de 10 mandados de prisão preventiva e 18 mandados de busca e apreensão nos municípios de Niterói, São Gonçalo e Maricá.
Até a divulgação das informações oficiais, oito pessoas haviam sido identificadas como presas no âmbito da investigação, incluindo um investigado que já estava custodiado desde o final de julho. A operação contou com o apoio de diversas delegacias e unidades especializadas, em uma mobilização que demonstra a dimensão e a complexidade do trabalho investigativo.
INVESTIGAÇÃO COMEÇOU APÓS PRISÃO EM FLAGRANTE
De acordo com a Polícia Civil, as investigações começaram há aproximadamente três meses, após a prisão em flagrante de Matheus Rodrigues Gonçalves, então apontado como suspeito de estupro contra uma adolescente de 16 anos.
Na ocasião, foram apreendidos dois notebooks e dois telefones celulares na residência do investigado, localizada no bairro de Icaraí, em Niterói.
A análise do conteúdo dos equipamentos eletrônicos, associada ao levantamento de imagens de câmeras de segurança da Prefeitura de Niterói e de residências, permitiu aos investigadores aprofundar as apurações e identificar outros suspeitos.
Segundo a investigação, os elementos reunidos apontaram para a existência de uma estrutura organizada de produção de vídeos com conteúdo sexual envolvendo adolescentes, com relatos de estupros coletivos, ameaças, chantagens e tortura.
Os investigadores apuram a participação individual dos suspeitos e as circunstâncias em que os crimes teriam sido praticados.
VÍTIMA TERIA SIDO SUBMETIDA A AMEAÇAS E TORTURA
Conforme as informações divulgadas pela Polícia Civil, a adolescente teria sido submetida a um sistema de dominação psicológica e violência física, no qual os investigados supostamente utilizavam ameaças e a possibilidade de divulgar imagens íntimas para mantê-la sob controle.
A investigação aponta que a vítima teria sido coagida a se submeter a novas situações de violência diante do temor de que os vídeos produzidos fossem divulgados.
Em determinado momento, a adolescente procurou a 74ª DP de Alcântara acompanhada dos pais e relatou os abusos sofridos.
Diante da gravidade do caso, a delegacia acionou os órgãos competentes para garantir a proteção da jovem. Conforme as informações fornecidas pela Polícia Civil, ela foi incluída no Programa de Proteção a Crianças e Adolescentes Ameaçados de Morte (PPCAAM), após a atuação do Conselho Tutelar de São Gonçalo, do Ministério Público e do Poder Judiciário da comarca de Niterói.
A identidade da vítima é preservada em respeito à legislação e à necessidade de proteção integral de crianças e adolescentes vítimas de violência sexual.
DELEGADO ANTÔNIO SILVINO TEIXEIRA SE DESTACA PELA CONDUÇÃO DA INVESTIGAÇÃO
A atuação do delegado Dr. Antônio Silvino Teixeira, titular da 74ª DP de Alcântara, merece destaque pela condução de uma investigação que exigiu análise de dispositivos eletrônicos, cruzamento de informações, levantamento de imagens e articulação entre diferentes unidades policiais e órgãos de proteção.
O trabalho investigativo foi fundamental para aprofundar as apurações iniciadas após a prisão em flagrante e reunir elementos destinados a esclarecer a possível participação de outros envolvidos.
A complexidade do caso exigiu atenção técnica, planejamento operacional e integração institucional, especialmente diante da gravidade das denúncias e da necessidade de preservar a adolescente submetida às situações de violência relatadas.
A coordenação da operação e o desenvolvimento das diligências demonstram a importância do trabalho de investigação criminal realizado pelas delegacias territoriais, sobretudo em ocorrências que envolvem violência sexual contra adolescentes e possíveis redes de exploração.
O resultado operacional também evidencia a relevância da cooperação entre unidades policiais para o cumprimento de medidas judiciais e o avanço de investigações que ultrapassam os limites de uma única circunscrição.
OPERAÇÃO MOBILIZOU DEZENAS DE POLICIAIS E DIVERSAS UNIDADES
Além da 74ª DP de Alcântara, responsável pela investigação, a operação contou com o apoio do 4º Departamento de Polícia de Área (4º DPA) e de outras delegacias da região.
Participaram da mobilização as seguintes unidades:
- 70ª DP — Tanguá;
- 71ª DP — Itaboraí;
- 72ª DP — São Gonçalo;
- 73ª DP — Neves;
- 75ª DP — Rio do Ouro;
- 76ª DP — Niterói;
- 77ª DP — Icaraí;
- 78ª DP — Fonseca;
- 79ª DP — Jurujuba;
- 81ª DP — Itaipu;
- 82ª DP — Maricá;
- 118ª DP — Araruama;
- 119ª DP — Rio Bonito;
- 124ª DP — Saquarema;
- 125ª DP — São Pedro da Aldeia;
- 126ª DP — Cabo Frio.
A operação também contou com a participação da Corregedoria Geral da Polícia Militar e da 4ª Delegacia de Polícia Judiciária Militar.
A atuação conjunta permitiu distribuir o efetivo e executar diligências simultâneas em diferentes municípios, conforme o planejamento operacional.
SUSPEITOS SÃO INVESTIGADOS POR DIVERSOS CRIMES
De acordo com a Polícia Civil, os fatos apurados podem envolver crimes como estupro, estupro de vulnerável, corrupção de menores, exploração sexual de adolescente, produção e divulgação de registros de estupro, comercialização de vídeos contendo violência sexual contra adolescente, associação criminosa e tortura.
A autoridade policial informou que as condutas foram individualizadas no inquérito. Dessa forma, cada investigado deverá responder exclusivamente pelos crimes que lhe forem atribuídos, conforme os elementos reunidos na investigação e a avaliação das autoridades competentes.
A individualização das condutas é uma etapa essencial para a responsabilização penal, pois permite distinguir a participação de cada suspeito nos fatos investigados.
POR QUE A OPERAÇÃO RECEBEU O NOME NXIVM?
O nome da operação faz referência à organização NXIVM, criada nos Estados Unidos e apresentada publicamente como um programa de desenvolvimento pessoal.
A organização ganhou notoriedade após investigações revelarem a existência de um grupo interno secreto conhecido como DOS, no qual mulheres eram submetidas a relações de subordinação, coerção e chantagem, segundo as apurações realizadas pelas autoridades norte-americanas.
O líder da organização, Keith Raniere, foi condenado em 2020 a 120 anos de prisão por crimes relacionados à exploração sexual e a outras práticas criminosas.
A escolha do nome pela Polícia Civil é uma alusão às semelhanças identificadas pelos investigadores entre os mecanismos de dominação e chantagem descritos no caso norte-americano e aqueles que estão sendo apurados na investigação fluminense.
A referência não significa que os casos sejam juridicamente idênticos, mas destaca o padrão de coerção e controle que, segundo a investigação, teria sido utilizado contra a adolescente.
INVESTIGAÇÃO SEGUE SOB RESPONSABILIDADE DA POLÍCIA CIVIL
A Operação NXIVM representa mais uma etapa de uma investigação voltada a esclarecer denúncias de extrema gravidade e identificar a responsabilidade individual dos envolvidos.
Sob a coordenação da 74ª DP de Alcântara, o trabalho policial reuniu análise de provas digitais, diligências investigativas e cooperação entre unidades de diferentes municípios, além da articulação com instituições responsáveis pela proteção da vítima.
O caso também reforça a importância da denúncia e do acolhimento adequado de adolescentes vítimas de violência sexual, que precisam encontrar nas instituições públicas um caminho seguro para interromper o ciclo de abusos e buscar proteção.
A Polícia Civil prossegue com as medidas investigativas e judiciais cabíveis. Os suspeitos têm direito à ampla defesa e à presunção de inocência, e a responsabilização criminal dependerá da apuração dos fatos e das decisões da Justiça.

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