MAGÉ TEM MAIS DE 73 MIL DOMICÍLIOS EM ÁREAS DE ALTO RISCO CLIMÁTICO

Mapa da Desigualdade 2026 aponta vulnerabilidade a deslizamentos e inundações na cidade.

Publicado em 15 de outubro de 2026

Magé, na Baixada Fluminense, enfrenta um cenário preocupante diante dos efeitos das mudanças climáticas. O município tem 73.541 domicílios localizados em áreas de alto risco de deslizamentos e inundações, segundo o Mapa da Desigualdade 2026, elaborado pela organização Casa Fluminense. O levantamento chama a atenção para a exposição de milhares de famílias a fenômenos como chuvas intensas, enchentes, alagamentos e movimentos de massa.

O problema não se restringe a Magé. Em todo o estado do Rio de Janeiro, municípios enfrentam dificuldades relacionadas à segurança hídrica, à ocupação de áreas vulneráveis e à necessidade de ampliar investimentos em infraestrutura urbana e prevenção de desastres.

Os dados reforçam a importância de políticas públicas que integrem planejamento urbano, saneamento básico, preservação ambiental e sistemas de alerta para proteger a população, principalmente nas regiões mais suscetíveis a eventos climáticos extremos.

Risco climático preocupa em todo o estado

De acordo com os números citados no levantamento, com base em informações da plataforma AdaptaBrasil, do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), 95% dos 92 municípios fluminenses estão classificados nas faixas de risco médio e alto de estresse hídrico.

Mais da metade das cidades também apresenta risco alto ou muito alto de deslizamentos de terra. Em relação a inundações, enxurradas e alagamentos, 45% dos municípios estão nas duas faixas mais elevadas de risco.

A plataforma AdaptaBrasil reúne indicadores que consideram fatores como ameaça climática, exposição da população, vulnerabilidade socioeconômica e capacidade de adaptação dos municípios. Essas informações ajudam a identificar os territórios que necessitam de maior atenção no planejamento de ações de prevenção e enfrentamento das mudanças climáticas.

Chuvas e estiagens: dois desafios para a população

A vulnerabilidade climática envolve problemas que vão além das chuvas fortes. Enquanto temporais podem provocar alagamentos, deslizamentos e danos às moradias, os períodos prolongados de estiagem aumentam a pressão sobre os sistemas de abastecimento e a disponibilidade de água.

Segundo o levantamento divulgado pelo jornal O Dia, quase 30 mil moradias da Região Metropolitana do Rio foram danificadas ou destruídas pelas chuvas entre 2024 e 2025. O número pode estar subestimado, já que sete municípios não informaram os dados à Defesa Civil Nacional.

Em Magé, a combinação entre áreas sujeitas a inundações, encostas vulneráveis e desigualdades de infraestrutura torna essencial o acompanhamento permanente das condições ambientais e dos riscos enfrentados pelos moradores.

Quilombo de Bongaba participa de iniciativa de justiça climática

Diante desse cenário, o Quilombo de Bongaba, em Magé, participou de uma formação sobre justiça climática e resiliência socioecológica promovida pelo Instituto Sinal do Vale, em parceria com o Programa Petrobras Socioambiental, por meio do Projeto Recôncavo da Guanabara — Escola de Restauração de Ecossistemas.

Realizada entre setembro e outubro de 2026, a iniciativa reuniu participantes em nove encontros, com atividades em Duque de Caxias e no próprio quilombo.

Entre os assuntos abordados estavam mudanças climáticas, prevenção de desastres, monitoramento comunitário, saúde mental e mobilização política. Os participantes também identificaram riscos ambientais em seus territórios, como enchentes, calor extremo, deslizamentos e falta de água.

A proposta é fortalecer a participação das comunidades tradicionais na elaboração de soluções ambientais e ampliar o acesso à informação sobre os riscos que afetam seus territórios.

Prevenção e planejamento são fundamentais

Especialistas e pesquisadores defendem que o enfrentamento da crise climática exige medidas que combinem obras de infraestrutura com soluções baseadas na natureza, como a restauração de ecossistemas e a recuperação de áreas degradadas.

Entre as ações importantes para reduzir a vulnerabilidade estão:

  • Mapeamento das áreas de risco: identificar moradias expostas a enchentes e deslizamentos e atualizar os levantamentos periodicamente.

  • Melhoria da drenagem urbana: ampliar e manter sistemas de escoamento de águas pluviais para reduzir alagamentos.

  • Monitoramento e alertas: fortalecer a atuação da Defesa Civil e orientar moradores sobre como agir diante de temporais.

  • Preservação ambiental: recuperar áreas degradadas e proteger ecossistemas que contribuem para o equilíbrio hídrico.

  • Planejamento habitacional: evitar novas ocupações em áreas de risco e avaliar alternativas seguras para famílias em situação de vulnerabilidade.

Essas medidas dependem de planejamento contínuo, recursos públicos e articulação entre governos, instituições de pesquisa e comunidades locais.

Desafio é transformar dados em políticas públicas

O número de 73.541 domicílios em áreas de alto risco coloca a vulnerabilidade climática entre as questões que exigem atenção no planejamento de Magé. O dado, por si só, não significa que todas essas residências estejam sob ameaça imediata, mas indica a dimensão da exposição apontada pelo levantamento.

O desafio é transformar os indicadores em ações concretas, com prevenção de desastres, melhoria da infraestrutura, proteção dos recursos hídricos e participação dos moradores nas decisões.

Em um cenário de eventos climáticos cada vez mais preocupantes, a preparação das cidades é decisiva para reduzir prejuízos materiais, proteger vidas e diminuir as desigualdades que tornam determinadas comunidades mais vulneráveis aos efeitos das mudanças climáticas.

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