‘DEMOCRACIA É UM CONCEITO RELATIVO’, DIZ LULA SOBRE VENEZUELA

Presidente Lula comentava sua relação com o presidente da Venezuela, país que elogiou por “ter mais eleições que o Brasil”

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva concedeu uma entrevista à Rádio Gaúcha, nesta quinta-feira (29), na qual comentou a situação da política da Venezuela, governada pelo presidente Nicolás Maduro, que encontrou Lula em Brasília no mês passado.

Segundo o chefe de Estado brasileiro, a Venezuela realiza mais eleições que países considerados democráticos, como o próprio Brasil. Ele afirmou que democracia é um conceito “relativo”, que depende das visões de mundo de cada pessoa. “A Venezuela, ela tem mais eleições que o Brasil. O conceito de democracia é relativo para você e para mim. Eu gosto da democracia porque ela me fez chegar à Presidência da República pela terceira vez, e é por isso que eu gosto da democracia e a exerço em sua plenitude”, disse Lula.

Lula também condenou, sem citar diretamente um responsável, a interferência estrangeira na Venezuela, que levou à tentativa de golpe liderada pelo ex-presidente do Parlamento Juan Guaidó em 2019. Os Estados Unidos apoiaram ativamente as forças da oposição em Caracas.

O que não está correto é a interferência de um país dentro de outro país. O que fez o mundo tentando eleger o (Juan) Guaidó o presidente da Venezuela, um cidadão que não tinha sido eleito. Se a moda pega, não tem mais garantia da democracia e não tem mais garantia no mandato das pessoas”, disse Lula. “Quem quiser derrotar o Maduro, derrote nas próximas eleições agora, vai ter eleições, derrote a assuma o poder. Vamos lá fiscalizar, se não tiver uma eleição honesta, a gente fala“, completou.

Em janeiro de 2019, a Venezuela mergulhou em uma crise política quando Guaidó se proclamou presidente interino em uma tentativa de derrubar o presidente reeleito Nicolás Maduro do poder. Os Estados Unidos e a maioria dos países ocidentais endossaram Guaidó e impuseram sanções incapacitantes à Venezuela. As restrições visavam especificamente os setores petrolífero e financeiro do país. Como resultado, um total de US$ 5,5 bilhões em ativos venezuelanos foram congelados em bancos internacionais. Rússia, China, Turquia e várias outras nações apoiaram Maduro.

 

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