Movimento iniciado em Minas Gerais mobiliza milhares, atrai jovens, parlamentares da oposição e reacende debate sobre democracia, Judiciário e liberdades políticas no país.

Publicado em 25 de janeiro de 2026
Brasília vive, neste domingo 25/01, um dos momentos de maior tensão política do ano com a chegada da ‘Caminhada Acorda Brasil’ à capital federal. O movimento, iniciado na última segunda-feira (19), em Paracatu, no interior de Minas Gerais, alcançou seu destino final após dias de deslocamento por rodovias e cidades do país, reunindo milhares de apoiadores ao longo do trajeto.
Inicialmente subestimada por setores governistas — que chegaram a ironizar a mobilização —, a caminhada liderada pelo deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) surpreendeu pelo volume de adesões. O ato atingiu proporções que, segundo analistas políticos, remetem às grandes mobilizações populares vistas durante os comícios do ex-presidente Jair Bolsonaro, especialmente pela forte presença de jovens e de diferentes segmentos da sociedade civil.

A concentração principal está marcada para as 12h, na Praça do Cruzeiro, área próxima à Esplanada dos Ministérios. Desde as primeiras horas do dia, o entorno do Palácio do Planalto foi cercado por grades e reforçado com efetivo de segurança. Em nota, o Gabinete de Segurança Institucional (GSI) informou que a medida foi adotada “em virtude da possibilidade de manifestações programadas em locais próximos à instalação presidencial”, diante do receio de atos que remetam aos eventos de 8 de janeiro de 2023.

O Brasil Acordou
Apesar da apreensão das autoridades, organizadores e participantes reforçam que a caminhada sempre foi divulgada como pacífica, com foco simbólico e político. Sob o lema “O Brasil acordou”, manifestantes carregam bandeiras nacionais, vestem camisas da seleção brasileira e entoam palavras de ordem em defesa do que chamam de “retomada da democracia de fato” e de críticas à atuação do Judiciário na condução da política nacional.
A mobilização extrapolou as expectativas iniciais e ganhou repercussão dentro e fora das estradas. Parlamentares bolsonaristas confirmaram presença no ato em Brasília, entre eles o senador Rogério Marinho (PL-RN), líder da oposição no Senado, além de deputados federais e estaduais alinhados ao ex-presidente.
Colete à prova de balas
Outro ponto que chamou atenção nos últimos dias foi o uso, por Nikolas Ferreira, de um colete à prova de balas durante parte do trajeto. Segundo a assessoria do parlamentar, a medida foi adotada de forma preventiva, após o recebimento de ameaças recentes. A origem e a autoria dessas supostas ameaças não foram divulgadas oficialmente.
De acordo com o deputado, o gesto também possui caráter simbólico e está diretamente ligado ao objetivo central da caminhada: protestar contra decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) relacionadas aos condenados pelos atos antidemocráticos de 8 de janeiro, especialmente o ex-presidente Jair Bolsonaro, condenado por tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022 e atualmente preso no Complexo da Papuda, em Brasília.
Nas redes sociais, Nikolas publicou registros da chegada à capital. Em um dos vídeos, é possível ver uma multidão gritando “Acorda, Brasil”, enquanto o parlamentar escreveu: “Chegamos em Brasília! Falta pouco”.
A chegada da Caminhada Acorda Brasil reforça o clima de polarização e evidencia um país ainda profundamente dividido. De um lado, manifestações que questionam a atuação do Judiciário e denunciam o que chamam de políticas antidemocráticas; de outro, um aparato institucional em alerta máximo, marcado pela memória recente de ataques às sedes dos Poderes. O desfecho do ato desta sexta-feira pode se tornar mais um capítulo decisivo no já conturbado cenário político brasileiro.

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Dito isso, o ex-presidente continua preso.