Drones russos atingiram um movimentado centro comercial em Kryvyi Rih, cidade natal do presidente Volodymyr Zelensky, e uma área comercial em Tokarivka.

PUBLICADO EM: 21 DE AGOSTO DE 2026
A guerra na Ucrânia voltou a registrar uma escalada de ataques contra áreas civis nesta sexta-feira (21). Um ataque de drones russos contra um shopping center movimentado em Kryvyi Rih, no centro-leste da Ucrânia, matou pelo menos 14 pessoas e deixou mais de 120 feridos, segundo autoridades locais. Entre os feridos estão 22 crianças, e 29 pessoas permanecem em estado grave.
Kryvyi Rih é a cidade natal do presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky. O ataque ocorreu durante o dia, quando o centro comercial estava ocupado. Imagens divulgadas após o bombardeio mostram uma grande coluna de fumaça saindo do prédio enquanto equipes de emergência trabalhavam para retirar vítimas e controlar o incêndio.
Segundo Zelensky, o ataque ocorreu em duas etapas. Um primeiro drone atingiu o centro comercial e, cerca de meia hora depois, outro drone voltou a atingir o local enquanto equipes de emergência já atuavam no resgate. O presidente ucraniano classificou a ação como “cínica” e afirmou que ataques desse tipo constituem atos terroristas.
O governador da região de Dnipropetrovsk, Oleksandr Hanzha, informou que dezenas de pessoas ficaram feridas e que a operação de resgate continuava. O número de vítimas aumentou rapidamente durante o dia, passando de seis mortos e cerca de 90 feridos nas primeiras horas para pelo menos 14 mortos e mais de 120 feridos no balanço posterior.
Três crianças estão entre as vítimas de outro ataque
Em outro episódio registrado nesta sexta-feira, um drone russo atingiu a localidade de Tokarivka, na região de Mykolaiv, no sul da Ucrânia.
O ataque atingiu um prédio que abrigava uma loja, uma agência dos Correios e uma farmácia. Quatro pessoas morreram: um homem e três crianças. Uma mulher também ficou ferida e precisou ser hospitalizada.
Informações divulgadas por autoridades locais indicam que as três vítimas infantis eram meninos, de 11, 11 e 13 anos, enquanto o homem morto tinha 30 anos. O impacto provocou um incêndio no prédio.
Somados, os dois ataques deixaram pelo menos 18 mortos nesta sexta-feira, além de mais de 120 feridos apenas no ataque ao shopping de Kryvyi Rih.
Nova escalada após ataque contra Kiev
Os ataques ocorreram apenas um dia depois de uma grande ofensiva russa contra Kiev e outras áreas da Ucrânia. O bombardeio de quinta-feira (20) matou pelo menos 16 pessoas na região da capital e atingiu prédios residenciais, uma escola e uma unidade médica infantil.
A intensificação dos ataques aéreos ocorre em um momento em que a Ucrânia enfrenta dificuldades para repor interceptadores de sistemas de defesa aérea Patriot, considerados fundamentais para combater os mísseis balísticos russos.
Ao mesmo tempo, a Ucrânia vem ampliando seus próprios ataques de longo alcance contra instalações russas, principalmente refinarias, depósitos e estruturas logísticas. O objetivo declarado por Kiev é reduzir a capacidade de Moscou de sustentar a guerra.

Irã promete resposta “devastadora” a novas ameaças dos Estados Unidos
Enquanto a guerra se intensifica na Europa, a tensão entre Irã e Estados Unidos também aumentou nesta sexta-feira.
O chefe do Estado-Maior das Forças Armadas iranianas, general Ali Abdollahi, afirmou que qualquer nova ameaça dos Estados Unidos receberá uma resposta “devastadora”. A declaração ocorreu depois de Washington anunciar que pretende impor novas e duras sanções financeiras contra Teerã.
Abdollahi afirmou que as forças iranianas estão preparadas para atuar em diferentes áreas, incluindo terra, mar, ar, defesa aérea e ciberespaço. Segundo ele, o país responderá de maneira ampla e decisiva a qualquer nova ameaça.
A declaração representa uma das mais duras respostas de Teerã à nova ofensiva econômica anunciada pelo governo do presidente Donald Trump.
EUA prometem as sanções mais duras da história
O secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, afirmou que os Estados Unidos devem apresentar na segunda-feira detalhes de um novo pacote de sanções contra o Irã.
Trump também advertiu países que continuarem fornecendo apoio econômico ao governo iraniano. Segundo a administração americana, a estratégia tem como objetivo aumentar a pressão sobre o regime de Teerã e reduzir suas fontes de financiamento.
O governo iraniano, por sua vez, classificou a política americana como uma forma de guerra econômica. O presidente do Parlamento iraniano e negociador nas conversas mediadas com Washington, Mohammad Baqer Qalibaf, afirmou que o país precisa se preparar para enfrentar as sanções, mas também reconheceu que a pressão econômica está provocando dificuldades internas.
“Não importa quanto poder militar tenhamos, não sobreviveremos se as pessoas estiverem com fome”, afirmou Qalibaf, segundo a agência oficial iraniana IRNA.
Petróleo reage à escalada
A crise entre Washington e Teerã já provoca efeitos nos mercados internacionais. O preço do petróleo subiu nesta sexta-feira diante do temor de que novas sanções e restrições reduzam ainda mais a oferta global.
O Brent chegou a US$ 93,86 por barril, enquanto o petróleo americano WTI alcançou US$ 86,99. A preocupação é especialmente grande por causa da redução do tráfego de petróleo pelo Estreito de Ormuz, uma das principais rotas de transporte de energia do mundo.
O estreito é responsável historicamente pela passagem de uma parcela significativa do petróleo comercializado mundialmente. Qualquer interrupção prolongada na região pode pressionar os preços de combustíveis e energia em diversos países.
Conflitos se aproximam de uma nova fase de tensão
Os acontecimentos desta sexta-feira mostram que duas das principais crises militares internacionais atravessam momentos de forte instabilidade.
Na Ucrânia, a Rússia intensificou ataques aéreos contra cidades e infraestrutura, enquanto Kiev amplia operações de drones contra alvos dentro do território russo. No Oriente Médio, Estados Unidos e Irã voltam a elevar o tom, agora com a combinação de pressão econômica, ameaças militares e dificuldades diplomáticas.
Em ambos os casos, o risco é de que novos ataques provoquem uma escalada ainda maior. Na Ucrânia, autoridades locais continuam contabilizando vítimas e avaliando os danos causados pelos bombardeios. No caso do Irã, o mercado de petróleo acompanha de perto os próximos passos de Washington e a possível reação de Teerã.
Até o momento, não há indicação de que as ameaças desta sexta-feira tenham resultado em uma nova ofensiva militar direta entre Estados Unidos e Irã. A principal frente anunciada por Washington é econômica, enquanto o governo iraniano insiste que responderá caso considere que sua segurança ou soberania estejam ameaçadas.

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