Primeira audiência de instrução acontece nesta quarta-feira (10) e deve definir os próximos passos do processo que apura a morte do vereador; decisão poderá levar acusados ao Tribunal do Júri.

Publicado em 10 de junho de 2026
A realização da primeira audiência do processo que investiga o assassinato do vereador Silmar Braga representa um dos momentos mais importantes desde o crime que abalou o cenário político de Magé. Marcada para esta quarta-feira (10), no Fórum de Magé, a sessão judicial inaugura uma etapa decisiva para definir se os acusados irão ou não responder perante o Tribunal do Júri.
Silmar Braga de Souza tinha 50 anos e exercia seu quinto mandato consecutivo na Câmara Municipal de Magé quando foi morto. O caso ganhou grande repercussão por envolver, segundo a linha investigativa apresentada pelas autoridades, uma possível motivação política ligada à disputa por influência eleitoral.
De acordo com a investigação conduzida pela Delegacia de Homicídios da Baixada Fluminense (DHBF), o suplente de vereador Mário Jorge Soares Gentil foi apontado como suposto mandante do crime e acabou preso em dezembro de 2025. Já Gutemberg Andrade de Santana foi identificado como o suposto executor e preso em março de 2026, após permanecer foragido por meses.
Segundo a apuração policial, a motivação estaria relacionada a uma disputa territorial por votos na região de atuação política da vítima.
O que se sabe até o momento sobre o caso?
A investigação reuniu diferentes frentes para sustentar a hipótese apresentada ao Ministério Público e posteriormente levada ao Judiciário.
Entre os principais elementos apontados pela DHBF estão:
- Reconstrução da dinâmica do crime: perícias técnicas teriam permitido reconstituir a ação criminosa ocorrida no distrito de Jardim Nova Marília. A conclusão investigativa indica que o vereador teria sido atraído para uma emboscada antes de ser atingido por disparos efetuados por um motociclista.
- Análise eletrônica e cruzamento de dados: segundo os investigadores, rastreamento de sinais e medidas judiciais de acesso a dados digitais ajudaram a estabelecer conexões entre os investigados e o planejamento do crime.
- Mandados de busca e apreensão: diligências realizadas em endereços vinculados aos investigados recolheram documentos e equipamentos eletrônicos considerados relevantes para o inquérito.
- Motivação eleitoral: a polícia sustenta ter identificado conflito político e disputa de espaço eleitoral como fator central do homicídio.
Apesar dessas conclusões, é importante destacar que os elementos reunidos pela investigação ainda são submetidos ao contraditório e à ampla defesa dentro do processo judicial. Até eventual condenação definitiva, os acusados permanecem juridicamente presumidos inocentes.
O que deve acontecer na audiência desta quarta-feira?
A audiência prevista no Fórum de Magé integra a chamada fase de instrução processual, etapa em que o juiz reúne provas para decidir se o caso será submetido ao julgamento popular.
Entre os atos previstos estão:
Oitiva das testemunhas
Primeiro serão ouvidas as testemunhas apresentadas pelo Ministério Público. Em seguida, prestam depoimento as testemunhas indicadas pelas defesas.
Essa fase é considerada essencial porque permite confrontar versões, esclarecer detalhes da investigação e testar a consistência dos relatos apresentados.
Interrogatório dos réus
Após as testemunhas, os acusados serão chamados para prestar esclarecimentos ao magistrado.
Nesse momento, podem responder às perguntas ou exercer o direito constitucional ao silêncio, sem que isso seja interpretado como admissão de culpa.

Quais serão os próximos passos do processo?
Encerrada a audiência de instrução, o processo ainda seguirá etapas importantes:
Alegações finais
Acusação e defesa apresentarão manifestações escritas consolidando suas teses e avaliando todas as provas produzidas durante a audiência.
Decisão de pronúncia
Com base nos depoimentos e no conjunto probatório, o juiz decidirá se existem indícios suficientes de autoria e materialidade.
Se entender que há elementos mínimos exigidos pela legislação, poderá proferir a chamada decisão de pronúncia.
Possível julgamento pelo Tribunal do Júri
Caso haja pronúncia, os acusados passam à fase de julgamento popular.
No Tribunal do Júri, cidadãos sorteados compõem o conselho de sentença responsável por decidir sobre absolvição ou condenação, enquanto o juiz conduz os trabalhos e aplica eventual pena.
O que dizem as defesas?
As estratégias defensivas apresentadas até o momento concentram-se na contestação das provas reunidas pela investigação.
Defesa de Mário Jorge Soares Gentil
Os advogados sustentam:
- negativa de participação no crime;
- ausência de vínculo com o suposto executor;
- questionamentos sobre a validade jurídica das provas eletrônicas;
- argumento de que eventual rivalidade política não comprova autoria criminosa.

Defesa de Gutemberg Andrade de Santana
A defesa argumenta:
- que o acusado não estaria no local dos fatos;
- contestação dos métodos utilizados para identificação;
- alegação de insuficiência probatória, especialmente pela ausência de elementos periciais considerados conclusivos.
O que está em jogo nesta etapa?
A audiência desta quarta-feira não define culpa ou inocência.
O objetivo imediato é verificar se o conjunto probatório reunido até aqui é suficiente para justificar o envio do caso ao Tribunal do Júri.
Independentemente do desfecho desta fase, a audiência representa um marco para familiares, população de Magé e todos que acompanham o caso, porque delimita o que efetivamente poderá ser levado ao julgamento popular e quais provas terão peso na análise judicial.
A partir daqui, o processo entra em um momento decisivo entre a narrativa construída pela investigação e os argumentos apresentados pelas defesas — sempre sob avaliação do Poder Judiciário e respeitando o devido processo legal.

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