Almoço político reacende especulações sobre aliança entre Magé e Eduardo Paes

Encontro entre o prefeito do Rio e lideranças mageenses pode redesenhar o tabuleiro político no estado.

12 de fevereiro de 2026

Magé entrou de vez no radar das articulações eleitorais para 2026. Um encontro realizado nesta quarta-feira (12) entre o prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes (PSD), e os principais protagonistas da política mageense — o prefeito Renato Cozzolino, a vice-prefeita Jamille Cozzolino e o deputado estadual Vinicius Cozzolino — movimentou os bastidores e abriu espaço para especulações sobre uma possível nova coalizão no estado.

Embora alianças e diálogos entre diferentes correntes partidárias não sejam novidade no cenário fluminense, o simbolismo do encontro chama atenção. Renato Cozzolino, que recentemente admitiu a possibilidade de disputar o governo estadual, vem estreitando relações com Eduardo Paes há algum tempo. No ano passado, um almoço na sede do Democracia Cristã, no centro da capital, já havia reunido os dois prefeitos, em um gesto que, à época, foi tratado como mera cordialidade política.

Contudo, os desdobramentos posteriores indicam que a aproximação pode ter sido mais estratégica do que protocolar.

Royalties e composição política

Eduardo Paes foi um dos apoiadores do acordo sobre a redistribuição dos royalties do petróleo, que devolve recursos a Magé, Guapimirim e São Gonçalo. A composição política e judicial foi encerrada em dezembro de 2025, envolvendo também os municípios do Rio de Janeiro e Maricá.

O acordo aguarda homologação judicial para que os pagamentos sejam oficialmente efetivados, mas já é tratado como um divisor de águas para as finanças das três cidades beneficiadas. A expectativa é que os recursos garantam novo fôlego orçamentário, permitindo investimentos estruturais e ampliação de políticas públicas.

Nesse contexto, o diálogo entre Paes e as lideranças mageenses ganha ainda mais peso político.

Política requer escolhas

Em ano eleitoral, dizem analistas, neutralidade costuma ter custo elevado. A polarização nacional impõe posicionamentos claros, e permanecer “em cima do muro” pode significar perda de protagonismo. O cenário fluminense não foge à regra.

Sem possibilidade de reeleição, Renato Cozzolino naturalmente precisa construir seu próximo passo político. A aproximação com Eduardo Paes pode representar uma estratégia de alinhamento a um projeto estadual mais amplo, especialmente diante da movimentação antecipada para 2026.

Apesar da forte votação da direita nas últimas eleições presidenciais, Magé tem recebido investimentos e apoio relevantes de governos alinhados à esquerda. Entre eles, a fase final das obras da Rodovia 493 (Magé–Santa Guilhermina) e a entrega de unidades habitacionais do PAC no bairro Maria Conga — obras que estavam paralisadas há décadas e que agora caminham para conclusão.

O prefeito tem adotado discurso de equilíbrio e maturidade institucional diante da polarização partidária que marca o país. No entanto, o avanço do calendário eleitoral tende a exigir definições mais objetivas.

Efeitos em cadeia

Caso se confirme uma aliança formal entre Renato Cozzolino e Eduardo Paes, os impactos podem ultrapassar o plano estadual. A eventual composição pode fortalecer a tentativa de reeleição do deputado estadual Vinicius Cozzolino e abrir espaço para uma candidatura competitiva de Jamille Cozzolino à Câmara Federal.

Nos bastidores, o entendimento é que 2026 exigirá união estratégica de forças regionais. E Magé, pela sua relevância eleitoral na Baixada Fluminense e na Região Metropolitana, não deve ser coadjuvante nesse processo.

Por enquanto, o encontro desta quarta-feira ainda não teve anúncio oficial de apoio. Mas, em política, gestos falam alto. E, quando prefeitos se sentam à mesma mesa em ano pré-eleitoral, dificilmente o cardápio se resume apenas a cordialidades.

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