PRESIDENTE DO PARAGUAI RENUNCIA EM MEIO A CRISE BANCÁRIA NO PAÍS

Crise envolvendo banco digital Ueno deixou quase 3 milhões de clientes sem acesso às contas.

Publicado em 6 de novembro de 2026

O presidente do Paraguai, Santiago Peña, anunciou sua renúncia ao cargo na quinta-feira (5), em meio a uma grave crise financeira e política provocada pelo colapso do banco digital Ueno. A instituição, uma das maiores do país, teve suas atividades interrompidas após uma intervenção do Banco Central paraguaio, deixando aproximadamente 3 milhões de clientes sem acesso ao próprio dinheiro.

A crise ganhou proporções nacionais e passou a ameaçar diretamente a permanência de Peña no poder. O presidente havia sido acionista do grupo empresarial controlador do Ueno Bank até março de 2025, circunstância que levantou questionamentos sobre possíveis conflitos de interesse e a relação entre o governo e a instituição financeira.

A oposição acusa autoridades do Banco Central de terem falhado na fiscalização e de supostamente encoberto irregularidades relacionadas às operações da instituição. Também são investigadas possíveis vantagens concedidas ao banco, que administrava bilhões em recursos públicos.

Impeachment avança no Congresso

A pressão sobre o presidente aumentou depois que aliados políticos retiraram o apoio ao governo e a Câmara dos Deputados aprovou a abertura de um processo de impeachment. A votação terminou com 78 votos favoráveis à acusação política.

Diante do isolamento político, Peña anunciou que apresentaria sua renúncia, afirmando que a decisão tinha como objetivo preservar a estabilidade nacional, a paz social e as instituições democráticas.

Entretanto, a saída do presidente não foi formalizada. Uma sessão conjunta do Congresso convocada para analisar a renúncia foi suspensa por falta de quórum, após parlamentares governistas deixarem o plenário. Com isso, Santiago Peña permaneceu formalmente no exercício da Presidência.

Crise bancária deixa milhões de paraguaios sem dinheiro

O colapso do Ueno Bank provocou protestos em diferentes regiões do Paraguai, especialmente na capital, Assunção. Clientes foram às ruas cobrar explicações e exigir a liberação dos valores depositados na instituição.

O Banco Central identificou problemas graves de solvência, com indicadores abaixo do mínimo exigido pela regulamentação financeira. A intervenção suspendeu os serviços bancários e desencadeou investigações sobre possíveis irregularidades nas operações da instituição.

O caso também resultou na prisão de executivos ligados ao banco e na saída do presidente do Banco Central paraguaio.

Além da crise financeira, o episódio abriu uma discussão sobre a fiscalização do sistema bancário, a utilização de recursos públicos e a responsabilidade de autoridades governamentais.

Mesmo após anunciar a renúncia, Peña afirmou que pretende apresentar sua defesa e colaborar com as investigações. O futuro político do presidente dependerá dos desdobramentos do processo no Congresso e das apurações sobre o escândalo financeiro.

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