RIO ENFRENTA SEQUÊNCIA DE DIAS CHUVOSOS E EL NIÑO ACENDE ALERTA

Capital registrou recorde de chuva em setembro, e fenômeno pode alterar o clima nos próximos meses.

Publicado em 28 de outubro de 2026

O Rio de Janeiro atravessa um período de chuva frequente, com apenas sete dias sem precipitação entre setembro e outubro. Os dados do Sistema Alerta Rio mostram que a capital fluminense registrou somente quatro dias sem chuva em setembro. Até terça-feira (27), outubro contabilizava apenas três dias inteiramente secos.

O cenário é marcado por volumes elevados de precipitação. Setembro registrou o maior acumulado de chuva para o mês desde o início das medições do Alerta Rio, em 1997. Em outubro, a sequência de dias chuvosos continuou, e o mês já ocupava a quarta posição entre os outubros mais chuvosos da série histórica até o dia 27.

A frequência das precipitações aumenta a preocupação com alagamentos, deslizamentos de terra e transtornos no trânsito, principalmente em regiões vulneráveis da capital e da Região Metropolitana. Ao mesmo tempo, a previsão de mudanças no comportamento do clima nos próximos meses mantém os meteorologistas em alerta.

El Niño pode alterar o padrão de chuvas

O fenômeno El Niño é caracterizado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial. Essa mudança interfere na circulação atmosférica e pode alterar a distribuição das chuvas e as temperaturas em diferentes regiões do planeta.

De acordo com o boletim divulgado em setembro por instituições federais de monitoramento climático, havia mais de 90% de probabilidade de o fenômeno atingir intensidade muito forte durante a primavera de 2026. As projeções também indicavam a possibilidade de manutenção das condições de El Niño até o início de 2027.

No Brasil, os efeitos não são iguais em todas as regiões. A atuação do fenômeno pode favorecer o aumento das chuvas em determinadas áreas, enquanto outras enfrentam períodos mais secos e temperaturas acima da média.

Para o Sudeste, o comportamento das precipitações depende também da atuação de frentes frias, áreas de baixa pressão, disponibilidade de umidade e outros sistemas atmosféricos. Por isso, a presença do El Niño, isoladamente, não significa que haverá chuva intensa todos os dias no Rio de Janeiro.

Como deve ficar o tempo nos próximos meses?

A tendência apontada por pesquisadores é de uma mudança na distribuição das chuvas a partir de novembro. Em vez de precipitações frequentes ao longo de muitos dias, os episódios poderão ficar mais espaçados, mas ocorrer com maior intensidade em períodos curtos.

Segundo o pesquisador Wanderson Luiz Silva, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), essa mudança também pode favorecer períodos de calor mais intenso quando a chuva der uma trégua.

A alternância entre dias chuvosos e períodos de temperaturas elevadas exige atenção, sobretudo durante a primavera e a aproximação do verão, quando o calor e a umidade podem contribuir para a formação de temporais. A previsão, entretanto, não significa que todos os episódios de chuva serão extremos ou que os volumes ficarão necessariamente acima da média histórica.

Região Metropolitana tem centenas de milhares de pessoas em áreas de risco

A sequência de dias chuvosos reforça a preocupação com as áreas suscetíveis a alagamentos, enxurradas e deslizamentos de terra.

Um levantamento do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), citado em reportagens sobre o cenário climático, aponta que aproximadamente 800 mil pessoas vivem em áreas de risco na Região Metropolitana do Rio de Janeiro.

Nessas localidades, a combinação de chuva acumulada e novas precipitações pode aumentar a vulnerabilidade de encostas, ruas próximas a rios e áreas com drenagem insuficiente.

A atenção deve ser redobrada em comunidades situadas em encostas e locais onde já existem registros de deslizamentos. Mesmo quando a chuva perde intensidade, o solo pode continuar encharcado, mantendo o risco de movimentação de terra.

Chuva também é importante para o abastecimento de água

Apesar dos transtornos, as precipitações desempenham um papel importante na recuperação dos reservatórios e na manutenção do abastecimento de água.

Chuvas moderadas e distribuídas ao longo do tempo podem contribuir para a reposição dos recursos hídricos e para a geração de energia hidrelétrica. O problema surge quando os volumes são excessivos em intervalos curtos, especialmente em áreas urbanas com drenagem limitada.

Por isso, o desafio é acompanhar não apenas a quantidade de chuva prevista, mas também sua intensidade, duração e distribuição geográfica.

O que a população deve fazer?

Diante da possibilidade de novos temporais, a recomendação é acompanhar os avisos meteorológicos e os comunicados da Defesa Civil.

Entre os principais cuidados estão:

  • Evitar áreas alagadas: não atravessar ruas inundadas a pé ou de carro.
  • Observar sinais de deslizamento: rachaduras em paredes e terrenos, inclinação de árvores e postes e surgimento de água barrenta nas encostas exigem atenção.
  • Não permanecer em áreas de risco durante temporais: procurar um local seguro seguindo as orientações da Defesa Civil.
  • Redobrar os cuidados durante descargas elétricas: evitar áreas abertas e não se abrigar sob árvores.
  • Acompanhar os alertas oficiais: consultar as atualizações do Alerta Rio e da Defesa Civil municipal.

Previsão exige acompanhamento contínuo

O registro de apenas sete dias sem chuva entre setembro e outubro evidencia um período excepcionalmente chuvoso na capital fluminense. A possibilidade de mudança no padrão das precipitações a partir de novembro, associada à atuação do El Niño, mantém a atenção voltada para os próximos meses.

Embora o fenômeno possa influenciar as condições meteorológicas, a ocorrência de temporais depende da combinação de diferentes fatores atmosféricos. Por isso, as previsões precisam ser atualizadas continuamente.

A orientação é acompanhar os boletins meteorológicos e os alertas oficiais, principalmente em períodos de chuva intensa, para reduzir os riscos à população e evitar acidentes.

Fontes: Sistema Alerta Rio, UFRJ, Cemaden, Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) e Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE).

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