Ex-governador do Rio é novamente alvo de busca e apreensão em investigação que apura suspeitas de fraude na concessão de licenças ambientais, lavagem de dinheiro, evasão de divisas e irregularidades no setor de combustíveis.

DATA DE PUBLICAÇÃO: 14 DE AGOSTO DE 2026
A Polícia Federal deflagrou nesta sexta-feira (14) a segunda fase da Operação Sem Refino, investigação que apura um suposto esquema envolvendo um conglomerado econômico do setor de combustíveis. Entre os principais alvos da nova etapa está o ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro (PL).
Ao todo, os agentes cumprem 16 mandados de busca e apreensão no estado do Rio de Janeiro, por determinação do Supremo Tribunal Federal (STF). Um dos mandados é cumprido em um imóvel ligado a Castro, em Petrópolis, na Região Serrana, endereço que, segundo as investigações, teria sido utilizado como sede de negociações consideradas fraudulentas.
A operação investiga a atuação de um grupo empresarial do ramo de combustíveis suspeito de utilizar estruturas societárias e financeiras para ocultar patrimônio, dissimular bens e promover evasão de recursos para o exterior.
INVESTIGAÇÃO SOBRE LICENÇAS AMBIENTAIS
Nesta segunda fase, um dos principais focos da investigação está na suspeita de fraude na concessão de licenças ambientais para a Refit, antiga Refinaria de Manguinhos.
De acordo com a Polícia Federal, os investigadores apuram se licenças foram concedidas em desacordo com as orientações e diretrizes técnicas dos órgãos responsáveis, além de possíveis mecanismos de lavagem de capitais relacionados ao esquema.
A apuração também envolve suspeitas de gestão fraudulenta e temerária, lavagem de capitais, sonegação fiscal, evasão de divisas, manipulação de mercado e crimes contra a ordem econômica relacionados à comercialização de combustíveis.
CASTRO JÁ HAVIA SIDO ALVO DA PRIMEIRA FASE
Esta é a segunda vez que Cláudio Castro é alvo da Operação Sem Refino.
Na primeira fase, deflagrada em maio, a Polícia Federal realizou buscas em um endereço ligado ao então ex-governador e apreendeu dispositivos eletrônicos, incluindo celular e tablet. A investigação passou a examinar possíveis relações entre integrantes da administração estadual e interesses do grupo empresarial investigado.
A nova etapa amplia a apuração sobre a possível atuação de agentes públicos na concessão de licenças e em decisões administrativas que poderiam ter favorecido empresas ligadas ao conglomerado investigado.
Além de Castro, também são citados como alvos desta fase Bernardo Rossi, ex-secretário estadual de Ambiente, e José Mauro Júnior, ex-secretário de Transformação Digital.
R$ 52 BILHÕES EM ATIVOS
A Operação Sem Refino também possui uma dimensão financeira expressiva. Na primeira fase, a Justiça determinou o bloqueio de aproximadamente R$ 52 bilhões em ativos financeiros relacionados aos investigados e empresas envolvidas.
Outro personagem central da investigação é o empresário Ricardo Magro, apontado como proprietário da Refit. Ele teve a prisão determinada na primeira fase e, por estar fora do Brasil, passou a ser procurado internacionalmente, com inclusão de seu nome na lista de difusão vermelha da Interpol.
INVESTIGAÇÃO AINDA ESTÁ EM ANDAMENTO
A segunda fase busca reunir novos documentos, equipamentos eletrônicos e outros elementos que possam esclarecer a estrutura financeira e empresarial investigada, além de eventual participação de agentes públicos.
A realização de buscas e apreensões não significa condenação dos investigados. As suspeitas ainda estão sob apuração e deverão ser confrontadas com as provas reunidas pela Polícia Federal e com as manifestações das defesas.
Até a publicação desta reportagem, a defesa de Cláudio Castro ainda não havia apresentado manifestação pública sobre a nova operação.
A Operação Sem Refino permanece sob acompanhamento do Supremo Tribunal Federal, que autorizou as medidas cumpridas nesta sexta-feira.

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