Operação cumpre quatro mandados de prisão e 13 de busca e apreensão.

Data de publicação: 12 de agosto de 2026
Uma investigação da Polícia Civil desarticulou um esquema criminoso que, segundo as autoridades, movimentou aproximadamente R$ 4 milhões por meio de golpes praticados a partir de falsos anúncios. A apuração aponta que a organização utilizava diferentes estratégias para atrair vítimas, obter dinheiro ilegalmente e dificultar o rastreamento dos valores.
Entre os mecanismos identificados estão anúncios fraudulentos, sequestros e extorsões. A investigação também revelou o recrutamento de pessoas desempregadas para atuar como “laranjas”, disponibilizando contas bancárias ou outros meios para receber e movimentar recursos provenientes dos crimes.
OPERAÇÃO CUMPRE 17 MANDADOS
A operação é conduzida pela 23ª DP (Méier), com apoio de departamentos especializados da Polícia Civil do Rio de Janeiro, da Polícia Civil de São Paulo e do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado), braço do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro.
Ao todo, são cumpridos quatro mandados de prisão e 13 mandados de busca e apreensão. As diligências ocorrem em municípios do Rio de Janeiro — Araruama, Belford Roxo e São Gonçalo e também em Cubatão, no litoral de São Paulo.
Os agentes buscam documentos, aparelhos eletrônicos, registros bancários e outros elementos que possam ajudar a esclarecer a participação individual de cada investigado e identificar eventuais integrantes ainda não alcançados pela operação.
DESEMPREGADOS ERAM RECRUTADOS COMO “LARANJAS”
Um dos pontos que chamam atenção na investigação é a forma como pessoas em situação de desemprego eram atraídas para o esquema.
Segundo a apuração, esses indivíduos eram recrutados para disponibilizar suas contas bancárias ou participar de operações financeiras que permitissem aos criminosos distanciar o dinheiro das vítimas dos verdadeiros responsáveis pelo golpe.
A utilização de terceiros dificultava o trabalho de rastreamento financeiro e criava uma espécie de cadeia para ocultar a origem dos recursos. A polícia agora investiga quanto cada participante sabia sobre a origem do dinheiro e qual teria sido o nível de envolvimento de cada um.
FALSOS ANÚNCIOS E ABORDAGEM DAS VÍTIMAS
O esquema também utilizava anúncios fraudulentos como uma das portas de entrada para as vítimas. A estratégia consistia em criar situações aparentemente legítimas para estabelecer contato e, posteriormente, obter vantagens financeiras.
A investigação aponta ainda para a prática de sequestros e extorsões, indicando que o grupo não atuava exclusivamente no ambiente virtual e poderia recorrer a métodos de violência ou ameaça para conseguir dinheiro.
Com a identificação dos envolvidos, os investigadores passaram a cruzar informações sobre movimentações financeiras, comunicações e possíveis conexões entre os suspeitos.
RASTRO FINANCEIRO É UM DOS FOCOS DA INVESTIGAÇÃO
O montante estimado de R$ 4 milhões tornou o rastreamento financeiro uma das principais frentes da investigação.
A polícia procura identificar a origem e o destino dos recursos, além de descobrir como o dinheiro era distribuído entre os integrantes do grupo e os chamados “laranjas”.
A análise das contas também pode ajudar a revelar outras vítimas e eventuais crimes ainda não registrados formalmente pelas autoridades.
INVESTIGAÇÃO DEVE IDENTIFICAR OUTROS ENVOLVIDOS
Apesar das prisões realizadas nesta etapa, a operação tem como objetivo reunir novos elementos para aprofundar a investigação e alcançar outros integrantes da organização.
Os investigadores trabalham para identificar quem seria responsável pela criação dos anúncios, quem fazia o contato com as vítimas, quem participava das ações de sequestro e extorsão e quem atuava na movimentação e ocultação dos valores.
A participação de pessoas utilizadas como intermediárias nas transações financeiras também será analisada individualmente.
As autoridades ressaltam que as investigações continuam e que os envolvidos serão responsabilizados de acordo com a participação que eventualmente for comprovada no decorrer do inquérito.
AÇÃO INTEGRA POLÍCIAS DO RIO E DE SÃO PAULO
A atuação conjunta entre as forças policiais dos dois estados demonstra a dimensão interestadual atribuída ao esquema. As diligências em Araruama, Belford Roxo, São Gonçalo e Cubatão buscam justamente reunir informações que permitam reconstruir a estrutura da organização e suas conexões.
O trabalho conjunto também pretende impedir que os criminosos utilizem a divisão territorial entre os estados para dificultar a identificação dos responsáveis e a recuperação dos valores obtidos ilegalmente.
A operação permanece em andamento, e novas informações poderão surgir a partir da análise do material apreendido e dos depoimentos dos investigados.

Rede TV Mais A Notícia da sua cidade!
