NÚMERO DE FEMINICÍDIOS ATINGE O MAIOR PATAMAR DA HISTÓRIA NO BRASIL

Levantamento revela que quatro mulheres foram assassinadas por dia por razões de gênero; número é o maior desde a criação do crime de feminicídio, em 2015.

Publicado em 24 de julho de 2026

O Brasil registrou um novo recorde de feminicídios em 2025, mesmo com a redução dos homicídios em geral no país. Os dados constam no Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgado nesta quinta-feira (23) pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública.

Segundo o levantamento, 1.571 mulheres foram vítimas de feminicídio ao longo de 2025, um aumento de 4% em relação a 2024, quando foram contabilizados 1.504 casos. A média é de quatro mulheres assassinadas por dia em decorrência da violência de gênero.

O número representa o maior já registrado desde que o feminicídio passou a ser considerado um crime específico no Código Penal brasileiro, em 2015, por meio da Lei nº 13.104.

Violência de gênero segue em alta

Embora os índices gerais de homicídios tenham apresentado queda no país, os dados mostram que a violência letal contra mulheres motivada por questões de gênero continua crescendo. Especialistas apontam que o aumento dos registros evidencia a persistência da violência doméstica e familiar, além de reforçar a necessidade de ampliar políticas públicas de prevenção, proteção às vítimas e responsabilização dos agressores.

Na maioria dos casos, os autores dos crimes são companheiros, ex-companheiros ou pessoas com quem a vítima mantinha algum vínculo afetivo. Grande parte dos assassinatos ocorre dentro da própria residência, cenário que reforça o caráter doméstico dessa violência.

O que caracteriza o feminicídio

O feminicídio é caracterizado quando o assassinato de uma mulher ocorre em razão de sua condição de gênero, principalmente em situações de violência doméstica e familiar ou por menosprezo e discriminação à condição feminina.

Desde a aprovação da legislação, o crime passou a integrar o rol dos crimes hediondos, com penas mais severas. Em 2024, a legislação foi atualizada para endurecer ainda mais as punições, ampliando as possibilidades de agravamento da pena em determinadas circunstâncias.

Especialistas defendem fortalecimento da rede de proteção

Diante do crescimento dos casos, entidades ligadas à segurança pública e aos direitos das mulheres defendem o fortalecimento da rede de atendimento às vítimas, a ampliação das Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher (DEAMs), o incentivo às denúncias e investimentos em medidas protetivas previstas na Lei Maria da Penha.

Também são apontadas como essenciais ações de educação, campanhas de conscientização e programas voltados ao enfrentamento da violência de gênero, além da integração entre forças de segurança, Poder Judiciário, Ministério Público e serviços de assistência social.

As autoridades reforçam que mulheres em situação de violência podem procurar ajuda por meio do telefone Ligue 180, canal nacional de atendimento à mulher, além das Delegacias Especializadas e da Polícia Militar, pelo número 190, em casos de emergência.

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