Calor intenso avança pela Europa e já provoca mortes, apagões e caos urbano

Temperaturas acima de 40°C fecham escolas, afetam transportes, causam apagões e elevam número de mortes por afogamento e insolação no continente.

Publicado em: 24 de junho de 2026

A intensa onda de calor que atinge grande parte da Europa já provocou ao menos 50 mortes e vem causando uma sequência de impactos na rotina da população, com fechamento de escolas, atrasos nos sistemas de transporte, interrupções no fornecimento de energia elétrica e aumento dos atendimentos médicos por exposição ao calor extremo.

Entre os casos mais graves registrados está a França, onde dezenas de pessoas perderam a vida tentando escapar das altas temperaturas. Segundo informações divulgadas pelo governo francês e repercutidas pela agência Reuters, ao menos 40 pessoas morreram afogadas desde o último dia 18 de junho ao entrarem em rios, canais e áreas sem supervisão para se refrescar. A maioria das vítimas era composta por jovens.

Além dos afogamentos, o país também registrou mortes diretamente relacionadas ao calor. Entre elas estão duas crianças pequenas encontradas em situação de insolação dentro de um veículo e idosos que sofreram complicações provocadas pelas temperaturas extremas.

As temperaturas chegaram a níveis históricos. Na França, os termômetros atingiram 44,3°C em algumas regiões, estabelecendo novos recordes para o mês de junho. Mais da metade do território francês permaneceu sob alerta máximo de calor, enquanto milhares de escolas suspenderam aulas ou reduziram horários de funcionamento.

Na Espanha, autoridades confirmaram mortes por insolação e emitiram alertas vermelhos em diversas regiões. Em cidades tradicionalmente mais amenas, como áreas do norte espanhol, os termômetros ultrapassaram os 40°C — índices muito acima da média histórica para esta época do ano.

Os efeitos da onda de calor também atingem infraestrutura e serviços essenciais. Em países como França, Itália e Reino Unido, houve registros de redução em operações ferroviárias, aumento no consumo de energia, sobrecarga nas redes elétricas e apagões localizados. Em algumas localidades, espaços públicos climatizados foram abertos para receber moradores e turistas.

Especialistas apontam que o fenômeno está associado ao chamado “bloco ômega”, uma configuração atmosférica que aprisiona massas de ar quente por vários dias sobre uma mesma região. O sistema também favorece a entrada de ar extremamente quente vindo do deserto do Saara e reduz a circulação de ventos, prolongando o desconforto térmico.

A Organização Meteorológica Mundial alertou que a Europa está aquecendo em ritmo superior à média global e que eventos extremos como este tendem a se tornar mais frequentes e intensos nas próximas décadas. A previsão é que o calor continue afetando grande parte do continente pelos próximos dias.

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