Mais de um mês após o desaparecimento de seis pescadores, mistério envolve possível colisão, incêndio e críticas à suspensão das buscas pela Marinha.
Por: Antonio Alexandre
Publicado em: 14 de fevereiro de 2026
O mar que sustenta famílias em Niterói se transformou em cenário de dor e incerteza. Há mais de um mês, o barco pesqueiro Funelli desapareceu na costa fluminense, levando consigo seis pescadores experientes que saíram para mais uma jornada de trabalho e nunca mais voltaram.
No dia 3 de janeiro, a embarcação partiu do município rumo à rotina de pesca na costa do Rio de Janeiro. Durante 12 dias, tudo seguia aparentemente normal. O último contato ocorreu na região de Maricá, no litoral norte do estado, sem qualquer relato de problema técnico ou emergência.
Mas, na noite de 15 de janeiro, algo mudou.
Pouco depois de o rebocador Blue Marlin — então operando a serviço da Petrobras — passar nas proximidades da área onde o Funelli estava, o sinal de rastreamento do pesqueiro desapareceu do sistema. Cerca de 45 minutos separaram a passagem da embarcação maior do sumiço definitivo do barco menor.
Desde então, silêncio.
A embarcação afundou com os seis tripulantes a bordo. Nenhum corpo foi encontrado. Nenhum sobrevivente. Nenhuma explicação conclusiva.

Suspeitas e incertezas
Entre as hipóteses levantadas inicialmente, cogitou-se uma possível colisão entre o rebocador e o pesqueiro — o que poderia justificar o desaparecimento abrupto do sinal. Outra possibilidade considerada foi a de que as redes do Funelli tenham sido arrastadas ou puxadas involuntariamente, provocando o naufrágio.
As buscas realizadas pela Marinha do Brasil duraram 12 dias, mas foram encerradas sem resultados. A suspensão gerou indignação entre familiares e membros da comunidade pesqueira.
Sem aceitar o que classificaram como um “vazio operacional”, pescadores da região e a Prefeitura de Niterói formaram um grupo paralelo para tentar localizar vestígios da embarcação. Utilizando redes de arrasto capazes de varrer o fundo do mar na área do último contato, eles fizeram uma descoberta perturbadora.
Fragmentos do casco do Funelli foram encontrados carbonizados. Um dos pedaços trazia ainda o nome da embarcação gravado, dissipando qualquer dúvida sobre a identidade dos destroços.
O que teria provocado marcas de queimadura? Incêndio? Explosão?
A presença de material queimado adiciona uma nova camada de mistério ao caso. Até o momento, não há laudo técnico conclusivo que esclareça o que ocorreu naquela noite.

Dor que não encontra respostas
Para as famílias, o sofrimento é ampliado pela ausência de explicações. Não há corpos para velar, não há conclusões oficiais que permitam algum encerramento. Há apenas perguntas.
Por que o rastreamento cessou logo após a passagem de outra embarcação?
Houve falha técnica? Colisão? Um acidente seguido de incêndio?
Por que as buscas foram encerradas sem uma conclusão clara?

A subsecretária de Pesca de Niterói, Priscila Palhano, afirmou que o município decidiu manter esforços colaborativos após o fim das buscas oficiais, reforçando que a cidade não poderia simplesmente aceitar o encerramento sem respostas.
O caso do Funelli já é considerado um dos episódios mais enigmáticos do litoral fluminense.
A ausência de informações concretas alimenta especulações, mas, acima de tudo, aprofunda a dor de uma comunidade que vive do mar e que agora olha para ele com desconfiança.
Mais de um mês depois, o que resta são fragmentos queimados, um sinal que desapareceu e seis histórias interrompidas.
Enquanto autoridades não apresentam uma conclusão definitiva, permanece o apelo das famílias e dos pescadores: que o caso não seja esquecido. Que as investigações avancem. Que o mar de Maricá não guarde para sempre um mistério que dilacera vidas em terra firme.

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