Caso expõe discussão sobre saúde mental, controle emocional e a falsa associação entre traição e direito à vingança.

Publicado em 13 de fevereiro de 2026
Uma tragédia abalou a cidade de Itumbiara, no sul de Goiás, na noite da última quarta-feira (11). O secretário de Governo do município, Thales Naves Alves Machado, de 40 anos, atirou contra os dois filhos e, em seguida, tirou a própria vida, conforme confirmado pela Polícia Militar à TV Anhanguera.
O filho mais velho, Miguel Araújo Machado, de 12 anos, chegou a ser socorrido e levado ao Hospital Municipal Modesto de Carvalho, mas não resistiu. O caçula, de 8 anos, passou por cirurgia e foi internado em estado gravíssimo na UTI do Hospital Estadual de Itumbiara, onde teve morte cerebral confirmada na quinta-feira.
Thales era genro do prefeito de Itumbiara, Dione Araújo. Horas antes do crime, ele publicou um vídeo nas redes sociais ao lado dos filhos, declarando amor aos dois.
Segundo informações divulgadas, o secretário deixou uma carta publicada em seu perfil no Instagram — atualmente fechado — na qual relata conflitos conjugais e afirma que a esposa, Sarah Araújo, teria deixado a cidade para se encontrar com outra pessoa. No texto, ele menciona que a situação teria chegado a um “limite improvável” e afirma que os filhos “partiriam com ele”.

Crime não é consequência de traição, é escolha violenta
É fundamental afirmar com clareza: não existe justificativa para o assassinato de crianças. A dor de uma separação, a frustração ou a sensação de traição não autorizam, sob nenhuma circunstância, a destruição da vida de terceiros — especialmente de filhos.
A narrativa deixada na carta tenta atribuir à crise conjugal a motivação para o crime. No entanto, especialistas em comportamento e violência familiar alertam que atos como esse revelam controle, sentimento de posse e incapacidade de lidar com frustrações, e não “excesso de amor” ou “intensidade”, como o próprio autor descreveu.
Trata-se de um ato extremo de violência que vitimou duas crianças inocentes, transformando um conflito adulto em uma tragédia irreversível.

A necessidade de falar sobre saúde mental e responsabilidade
Casos como este expõem a urgência de discutir saúde mental, masculinidade tóxica, controle emocional e a ideia equivocada de que filhos são extensão do pai ou da mãe. Crianças não podem ser usadas como instrumento de vingança ou como parte de um “plano final”.
O sofrimento emocional pode ser intenso, mas existem caminhos de ajuda e acolhimento. Procurar apoio profissional, amigos, familiares ou serviços especializados é sempre a alternativa responsável.
Se você ou alguém que conhece enfrenta pensamentos suicidas, procure ajuda.
O Centro de Valorização da Vida (CVV) atende 24 horas por dia pelo telefone 188, gratuitamente, além de chat e e-mail. Os Centros de Atenção Psicossocial (Caps) também oferecem atendimento gratuito pelo SUS.

Rede TV Mais A Notícia da sua cidade!
