Pressão do PT por candidatura própria ao governo do RJ leva Eduardo Paes a reforçar alianças em Brasília

Prefeito recua, reafirma lealdade a Lula e aceita apoiar Benedita ao Senado após sinais de desgaste político e risco de ruptura para 2026.

Data: 17 de janeiro de 2026

Após meses de atritos com setores da esquerda e movimentos públicos em direção ao campo conservador, o prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes (PSD), fez um movimento claro de contenção de danos políticos. Na última terça-feira (16), Paes esteve em Brasília para se reunir com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), em meio à crescente pressão do Partido dos Trabalhadores por uma candidatura própria ao governo do Estado do Rio de Janeiro em 2026.

A visita ao Planalto foi interpretada, nos bastidores, como um gesto de recuo e respeito — avaliação sintetizada por dirigentes petistas como a de que o prefeito “calçou as sandálias da humildade”. Diante da ameaça de rompimento de acordos eleitorais e do esfriamento da confiança política, Paes reafirmou seu compromisso com Lula, confirmou que pretende deixar a Prefeitura do Rio em 20 de abril, prazo máximo para a desincompatibilização do cargo, e reiterou o projeto de disputar o Palácio Guanabara em 2026.

Como sinal concreto de alinhamento, o prefeito comprometeu-se a apoiar a deputada Benedita da Silva (PT) ao Senado. O gesto representa um recuo relevante em relação à estratégia inicial de seu grupo político, que trabalhava com a formação de uma chapa majoritária sem a presença de candidatos petistas, apostando em uma aliança mais ampla ao centro e à direita.

Recuo e respeito é bom e todo mundo gosta

No encontro com Lula, Paes confirmou que pretende deixar a Prefeitura do Rio em 20 de abril, data-limite para a desincompatibilização do cargo, com o objetivo de disputar o governo do estado em 2026. Mais do que isso, jurou lealdade ao presidente e buscou reposicionar-se no campo progressista após meses de ruídos.

Como gesto político concreto, o prefeito comprometeu-se a apoiar a deputada Benedita da Silva (PT) ao Senado. A decisão representa um recuo relevante diante da estratégia inicial de seu grupo, que trabalhava com a formação de uma chapa majoritária sem nomes petistas, apostando em uma composição mais ampla e menos ideológica.

Nos corredores petistas, a avaliação é direta: Paes recuou porque precisou. E recuou porque entendeu que, em política, respeito costuma ser moeda valorizada — e a falta dele cobra juros altos.

Saída pela Esquerda

Força de Ceciliano no tabuleiro político foi a injeção para enquadrar o prefeito

Rumores que circularam tanto no Palácio Guanabara quanto no Centro Administrativo São Sebastião indicavam que Paes estaria “manobrando para a direita”. A leitura acendeu o alerta máximo no PT e levou o Leão da Montanha a sair, literalmente, pela esquerda.

A virada no jogo veio com a possibilidade de André Ceciliano, secretário de Assuntos Parlamentares do governo federal e ex-presidente da Alerj, disputar uma eleição indireta para um mandato-tampão de governador, caso Cláudio Castro (PL) renuncie em abril para concorrer ao Senado.

Deputado estadual licenciado e peça-chave da engrenagem política fluminense, Ceciliano passou a simbolizar o poder de reação do PT. A simples hipótese de sua chegada ao comando do estado foi suficiente para afastar, ao menos por ora, qualquer ensaio de quebra de acordos. A mensagem foi clara: o partido não assistiria passivamente a movimentos considerados oportunistas.

O peso da polarização no jogo político

O gesto de Paes em Brasília foi interpretado como um movimento clássico de contenção de danos. Dirigentes petistas reconhecem o recuo, mas ponderam que a confiança ainda está longe de ser plena. Lula, segundo aliados, trabalha com cenários nacionais incertos e mantém dúvidas sobre a real disposição do prefeito em sustentar a aliança caso o PSD caminhe com outro nome à Presidência da República.

O histórico recente não ajuda. Paes perdeu duas disputas pelo governo do estado, em 2006 e 2018, e acompanha com atenção o peso do bolsonarismo no interior e na Baixada Fluminense. Em 2022, Jair Bolsonaro venceu Lula em 72 municípios fluminenses, enquanto Cláudio Castro derrotou Marcelo Freixo ainda no primeiro turno, com ampla vantagem.

Na semana passada, o prefeito recebeu no Rio o presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab. No encontro, discutiram cenários que envolvem tanto o Palácio do Planalto quanto o controle da máquina estadual. No entorno de Paes, a avaliação é pragmática: um alinhamento excessivo ao PT pode afastar eleitores conservadores estratégicos.

Desconfiança e tensão

O avanço das conversas entre petistas e o presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar, mantém o sinal de alerta ligado tanto no gabinete de Paes quanto no do governador Cláudio Castro. A disputa pelo controle da Assembleia Legislativa e pela eventual cadeira de governador interino já apontava para um desfecho desgastante antes mesmo do início oficial da campanha.

A sucessão fluminense se consolida como um dos principais focos de tensão do cenário político nacional em 2026. O tabuleiro está posto à mesa. E para quem acredita que a dramaturgia eleitoral chegou ao clímax, vale o aviso: os próximos capítulos prometem mostrar que ela, na verdade, mal começou.

Além disso, verifique

Magé realiza Festa do Trabalhador 2026 com shows, homenagens e lançamento do tema dos 461 anos

Evento acontece no dia 1º de maio e terá como destaque o cantor Dilsinho. Publicado …

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *