Saída antecipada evita possível cassação imediata e leva Alerj a escolher governador interino para mandato até 2026.

Publicado em: 24 de março de 2026
O governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), renunciou ao cargo nesta segunda-feira (23), antecipando sua saída do Palácio Guanabara em meio à retomada do julgamento no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que pode resultar na cassação de seu mandato e na declaração de inelegibilidade. A decisão também abre caminho para que o político se lance candidato ao Senado nas eleições deste ano, caso não seja condenado pela Justiça Eleitoral.
Com a renúncia oficializada, o estado terá uma eleição indireta para definir o novo chefe do Executivo. O sucessor será escolhido dentro de um mês pelos 70 deputados estaduais da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) e cumprirá um mandato-tampão até o fim de 2026.

Até a escolha do novo governador, quem assume interinamente o comando do estado é o presidente do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro, desembargador Ricardo Couto de Castro.
A renúncia ocorre um dia antes da retomada do julgamento no TSE que analisa acusações de abuso de poder econômico e político relacionadas ao chamado escândalo do Ceperj. O processo já conta com dois votos favoráveis à condenação de Castro, enquanto outros cinco ministros ainda precisam se manifestar.
Nos bastidores políticos, a avaliação é de que a saída antecipada do cargo também foi influenciada pelo receio de que uma eventual cassação pudesse levar à realização de eleições diretas no estado, alterando o cenário político local.
Durante um ato de despedida, o agora ex-governador confirmou que pretende seguir na vida pública e disputar uma vaga no Senado Federal.

“Hoje eu encerro o meu tempo à frente do governo do Estado. Vou em busca de novos projetos. Como todos sabem, sou pré-candidato ao Senado. Saio de cabeça erguida e de forma grata”, declarou.
Pela legislação eleitoral, governadores que desejam concorrer a outros cargos precisam deixar o posto dentro do prazo estabelecido antes das eleições. No caso de Castro, o limite seria até 4 de abril, mas a decisão de renunciar foi antecipada justamente na véspera da retomada do julgamento no TSE.
Agora, o desfecho do processo na Justiça Eleitoral pode ser determinante para o futuro político do ex-governador. Se não for cassado nem declarado inelegível, ele poderá oficializar sua candidatura ao Senado nas próximas eleições. Caso contrário, ficará impedido de disputar cargos eletivos.

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