MP aponta esquema de invasão de sistemas e venda de informações de clientes; prática é antiga e denunciada em várias agências.

O Núcleo de Custódia do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (NACAC/MPRJ) obteve, nesta quinta-feira (6), a conversão da prisão em flagrante em preventiva de Thiago de Souza da Silva, funcionário do Banco do Brasil preso pela Polícia Federal por envolvimento em um esquema de invasão de sistemas internos e repasse indevido de dados sigilosos de correntistas e gerentes.
De acordo com as investigações, o servidor, lotado na agência do Caju, na Zona Norte do Rio, utilizava scripts e explorava vulnerabilidades internas para capturar informações restritas e as transmitir a terceiros. O objetivo seria facilitar fraudes bancárias de grande vulto, operadas por quadrilhas especializadas. O Ministério Público identificou diversas ações entre setembro e outubro de 2025, além de um novo episódio já no início de novembro.
Durante a audiência de custódia, o NACAC/MPRJ enfatizou a gravidade das condutas, o abuso de confiança e a reiteração criminosa do investigado, pedindo a conversão da prisão em preventiva para garantir a ordem pública, a instrução criminal e a aplicação da lei penal. O pedido foi acolhido pela Central de Audiências de Custódia, que manteve Thiago preso preventivamente.
A decisão judicial ressaltou o alto grau de sofisticação do modus operandi e o risco de continuidade das práticas criminosas, observando que os atos atingem não apenas o patrimônio da instituição, mas também a credibilidade do sistema financeiro nacional.

Prática antiga e recorrente no sistema bancário
A prisão reacende um alerta sobre uma prática denunciada há anos por clientes e funcionários: o vazamento interno de dados bancários. Fontes ligadas a diversas agências relatam que informações de correntistas — como limites, rendas e saldos — são frequentemente repassadas a empresas de empréstimos e financeiras, muitas vezes operadas com a conivência de empregados das instituições.
Esse tipo de tráfico de dados se tornou um negócio paralelo em algumas praças do país, facilitando o contato de correspondentes bancários com aposentados, pensionistas e servidores públicos — públicos-alvo preferenciais das ofertas de crédito consignado. Apesar de reiteradas denúncias e queixas à ouvidoria, a fiscalização interna e a responsabilização efetiva ainda são consideradas frágeis.
Em Porto Alegre, outro funcionário do Banco do Brasil foi preso, nesta quarta-feira (10/11), suspeito de mais de cem estelionatos qualificados contra idosos e pessoas de baixa escolaridade, em Bom Jesus, na Serra Gaúcha (RS). A Polícia Civil acredita que o homem de 28 anos pode ter conseguido mais de R$ 1 milhão com os golpes.
Investigação continua
A Polícia Federal e o Ministério Público seguem apurando quem recebia as informações repassadas e qual o volume financeiro das fraudes executadas a partir dos acessos ilegais. A expectativa é que novas prisões ocorram nas próximas semanas, incluindo intermediários e possíveis beneficiários comerciais do esquema.
O Banco do Brasil, até o momento, não se pronunciou oficialmente sobre o caso.

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