EUA classificam PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas

Medida anunciada pelo Departamento de Estado dos Estados Unidos prevê sanções e amplia o combate às facções brasileiras no cenário internacional.

Publicado em 29 de maio de 2026

O Departamento de Estado dos Estados Unidos anunciou a designação do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas internacionais e “Terroristas Globais Especialmente Designados” (SDGTs). A medida foi confirmada pelo secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, e passa a produzir efeitos formais a partir do dia 5 de junho.

Segundo o governo norte-americano, as duas facções estão entre as organizações criminosas mais violentas do Brasil, com atuação em diversos países da América Latina e conexões que alcançam território dos Estados Unidos. Em comunicado oficial, Rubio afirmou que o PCC e o CV comandam milhares de integrantes e são responsáveis por ataques contra agentes de segurança, autoridades públicas e civis.

A classificação permite que autoridades americanas ampliem mecanismos de combate financeiro às organizações, incluindo bloqueio de ativos, restrições econômicas e sanções contra indivíduos ou empresas que mantenham relações com integrantes das facções. Especialistas apontam que a medida também fortalece a cooperação internacional em investigações sobre tráfico de drogas, lavagem de dinheiro e comércio ilegal de armas.

A decisão, entretanto, gerou repercussão política no Brasil. O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva já havia manifestado preocupação com a possibilidade de enquadrar facções criminosas como grupos terroristas, argumentando que a legislação brasileira possui critérios específicos para caracterização de terrorismo e que a medida poderia abrir espaço para questionamentos sobre a soberania nacional.

O assessor especial da Presidência para assuntos internacionais, Celso Amorim, afirmou que o Brasil apoia a cooperação internacional no combate ao crime organizado, especialmente em temas ligados ao tráfico de armas e à lavagem de dinheiro, mas rejeita qualquer iniciativa que possa servir como justificativa para intervenções externas.

A decisão dos Estados Unidos ocorre em meio ao avanço internacional das facções brasileiras. O PCC, criado nos anos 1990 em presídios de São Paulo, e o Comando Vermelho, surgido no sistema prisional do Rio de Janeiro, ampliaram sua influência ao longo das últimas décadas e hoje mantêm operações ligadas ao tráfico de drogas, armas e lavagem de dinheiro em diferentes países.

Analistas avaliam que a medida deve intensificar a pressão internacional sobre integrantes e financiadores das organizações criminosas, além de influenciar o debate sobre segurança pública e combate ao crime organizado no Brasil nos próximos meses.

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