Operação Taxação 2 mira facção que explorava serviço clandestino, extorquia comerciantes e ampliava domínio territorial no interior do estado.

14 de fevereiro de 2026
A expansão do crime organizado para o interior do Rio de Janeiro acendeu um alerta nas cidades da Região Serrana e do Leste Fluminense. Nesta semana, a Polícia Civil deflagrou a Operação Taxação 2, com foco na desarticulação de um esquema criminoso que explorava clandestinamente serviços de internet, associado a tráfico de drogas e extorsões em Cachoeiras de Macacu e Itaboraí.
De acordo com as investigações, criminosos obrigavam moradores e comerciantes a contratar o serviço ilegal, sob ameaças, sabotagens e intimidações. A chamada “internet do medo” funcionava como fonte de arrecadação para fortalecer a atuação da facção e ampliar o controle territorial.
Foram alvos da operação os distritos de Japuíba, em Cachoeiras de Macacu, além de Sambaetiba, Centro e comunidade Reta Velha, em Itaboraí. Durante o cumprimento dos mandados, agentes da 159ª DP localizaram uma estrutura completa de provedor de internet instalada de forma irregular.

No local, foram apreendidos rack de grande porte, switches, três OLTs, GPON, distribuidor óptico, servidor, sistema de energia, cabeamento e câmeras de monitoramento. Todo o material recolhido está sendo analisado e anexado ao inquérito policial.
A ação contou com apoio do 4º Departamento de Polícia de Área (DPA), da Core e de diversas delegacias da Baixada Litorânea e do Leste Fluminense.
Ataque a empresa legalizada
Em meio às investigações, criminosos também arrombaram, incendiaram e roubaram uma loja da empresa provedora AledNet, localizada no Shopping Papucaia, em Cachoeiras de Macacu. O ataque é interpretado como retaliação e demonstração de força contra provedores legalizados que disputam espaço com os chamados “Gato Net”.
As mesmas práticas já haviam sido registradas em municípios como Magé e Guapimirim, onde operações recentes resultaram em prisões, apreensão de equipamentos e fechamento de redes clandestinas.

População denuncia sensação de abandono
Nas redes sociais, moradores expressaram indignação com a crescente insegurança. Uma moradora criticou a falta de políticas integradas de segurança no município.
“Você olha para Magé, Guapimirim e outros municípios, as prefeituras têm parcerias com a polícia, tem o Segurança Presente, tem o Proeis, mas aqui parece que ninguém está preocupado”, afirmou.
A declaração expõe um sentimento recorrente no interior fluminense: a percepção de que o crime organizado avança sobre cidades menores, onde a presença ostensiva do Estado é considerada insuficiente.
Polícia promete reforço
No dia 9 de janeiro, o comandante do 35º BPM, tenente-coronel Júlio César, divulgou vídeo nas redes sociais para tranquilizar a população de Cachoeiras de Macacu. Segundo ele, o policiamento foi reforçado com mais de 10 viaturas e 20 policiais militares atuando diariamente, em turnos da manhã, tarde e noite.
O oficial afirmou ainda que mantém contato constante com o delegado titular da 159ª DP, Ivailson Sardinha, e com o prefeito Rafael Miranda (Agir-RJ), para alinhar estratégias de combate às organizações criminosas. Em manifestação pelas redes sociais o comandante salientou que muito dos fatos noticiados, não correspondem a realidade dos fatos da forma que estão sendo colocadas e se compromete a manter a lei e a ordem na cidade.
Expansão silenciosa no interior
Especialistas em segurança pública apontam que o modelo de exploração de serviços clandestinos — especialmente internet e TV a cabo — tem sido utilizado por facções como forma de financiamento e controle social em áreas urbanas e rurais.
A chamada “taxação” imposta por criminosos representa não apenas prejuízo financeiro, mas também um mecanismo de domínio territorial que intimida moradores e comerciantes. No interior do estado, onde a estrutura policial muitas vezes é mais enxuta, o avanço dessas práticas tem provocado medo e sensação de vulnerabilidade.
As investigações seguem para identificar todos os envolvidos, impedir a retomada do esquema e garantir maior segurança à população. Enquanto isso, moradores cobram respostas rápidas diante do crescimento do poder paralelo em municípios que, até poucos anos atrás, eram considerados áreas de menor influência do crime organizado.

Rede TV Mais A Notícia da sua cidade!
