ASSASSINATO DE VEREADOR EM MAGÉ SEGUE SEM RESPOSTAS E REFORÇA CRISE DE IMPUNIDADE NO RJ

Famílias acuadas, população sem respostas e um inquérito que avança lentamente em mais um crime político no estado.

Mesmo após prisão de suspeito de ser mandante, investigação sobre a morte de Silmar Braga permanece sem avanços públicos; especialistas apontam medo, silêncio e lentidão estrutural como marcas recorrentes dos crimes políticos no estado

Passados meses do assassinato do vereador de Magé Silmar Braga, a principal sensação que permanece entre moradores, lideranças políticas e familiares da vítima é a de silêncio. Apesar da prisão do suplente de vereador Mário Gentil, apontado como suposto mandante do crime, nenhuma nova informação relevante foi divulgada oficialmente sobre o avanço das investigações.

A ausência de atualizações por parte da Delegacia de Homicídios da Baixada Fluminense (DHBF) alimenta questionamentos: o que, de fato, se apurou até agora? Quais linhas de investigação estão em curso? Há outros envolvidos identificados? E, principalmente, por que a apuração parece ter entrado em um limbo após a prisão do principal suspeito?

O que se sabe até o momento

Até agora, as informações oficialmente confirmadas indicam que o crime teria motivação política, hipótese comum em execuções envolvendo vereadores em municípios da Baixada Fluminense, onde disputas por poder local, controle territorial e influência política frequentemente se misturam a interesses econômicos e criminosos.

A prisão de Mário Gentil foi tratada, inicialmente, como um passo decisivo para o esclarecimento do caso. No entanto, desde então, não houve divulgação de possíveis delações, identificação de executores, apreensão de armas ou detalhamento da dinâmica do crime. O inquérito segue sob sigilo, mas o silêncio prolongado gera desconfiança.

O que poderia ser revelado após a prisão do suposto mandante?

Especialistas em investigação criminal apontam que, em casos como esse, a prisão do suposto mandante costuma abrir caminho para:

  • Identificação dos autores materiais do crime

  • Revelação de intermediários, como pistoleiros ou facilitadores

  • Apuração de financiamento, logística e rotas de fuga

  • Verificação de outros crimes conexos, inclusive ameaças a testemunhas

Nada disso, porém, foi tornado público até o momento. Para investigadores ouvidos sob reserva, o principal entrave costuma ser o medo generalizado: testemunhas acuadas, familiares intimidados e comunidades inteiras dominadas pela lógica do silêncio.

O delegado Renato Martins, (foto acima), explicou que a vítim5 era vista como um obstáculo para as pretensões eleitorais de Gentil na região.

Por que as investigações no Brasil demoram tanto?

A morosidade nas apurações de homicídios, especialmente os de repercussão política, não é exclusividade de Magé. Entre os principais fatores estão:

  • Falta de efetivo e estrutura nas delegacias especializadas

  • Excesso de sigilo, que muitas vezes se estende além do razoável

  • Pressões políticas locais, sobretudo em cidades pequenas

  • Risco real à vida de testemunhas, que raramente contam com proteção adequada

  • Acúmulo de inquéritos, que se arrastam por anos

O resultado é um sistema que investiga lentamente enquanto a sociedade cobra respostas rápidas — e legítimas.


O paralelo com o caso Marielle Franco

O assassinato da vereadora Marielle Franco, em 2018, é o exemplo mais emblemático dessa lentidão. Foram mais de cinco anos até que os mandantes fossem presos e o caso avançasse de forma concreta. Durante esse período, o crime se tornou símbolo internacional da impunidade e da dificuldade do Estado brasileiro em proteger seus representantes eleitos e esclarecer crimes contra a vida.

A comparação é inevitável — e incômoda. Assim como no caso Marielle, o assassinato de Silmar Braga levanta a suspeita de que interesses poderosos atuam para atrasar, confundir ou esfriar as investigações.

Medo, indignação e a espera por justiça

Enquanto isso, familiares das vítimas vivem acuados, muitas vezes sem poder falar publicamente, temendo represálias. A população, por sua vez, acompanha com indignação mais um crime que ameaça cair no esquecimento.

Nos municípios do Rio de Janeiro, a impunidade não é apenas uma falha do sistema: ela se transforma em mensagem. Uma mensagem perigosa de que matar pode compensar, de que o poder se impõe pela violência e de que a Justiça tarda — quando chega.

Um dano que vai além da vítima

Crimes como o de Magé não atingem apenas uma família ou um mandato interrompido. Eles ferem a democracia local, enfraquecem a participação política e instauram o medo como método de controle social.

Enquanto respostas não vêm, cresce a cobrança: quem mandou matar Silmar Braga? Quem executou? Quem se beneficia do silêncio?
A sociedade segue aguardando — com ansiedade, indignação e a esperança de que, desta vez, a justiça não demore mais uma década para bater à porta.

Silmar Braga, de 50 anos, foi morto a tiros na porta de casa, no bairro Nova Marília, em Magé, no dia 20 de janeiro. Ele chegou a ser levado para o Hospital Municipal de Magé, mas não resistiu aos ferimentos. Braga era um político tradicional na cidade, com 5 mandatos consecutivos desde 2008, e deixou esposa e três filhos.

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