General Walter Souza Braga Netto, o interventor da segurança no Rio.
“Nossa intenção é fortalecer ainda mais o sistema de segurança do Rio de Janeiro, para voltar a atuar conforme merece a população carioca’
Convocado às pressas, Braga Netto falou pouco até agora. Disse haver “muita mídia” na situação da segurança fluminense, classificada por ele como “grave“, mas não “fora de controle“.
Como continuará como comandante militar do Leste, o general Braga Netto permanecerá despachando do Palácio Duque de Caxias. Na próxima segunda-feira, ele receberá para uma primeira reunião reservada o novo secretário de Segurança.

Por enquanto, eles mantiveram contato por telefone. Braga Netto indicou Richard Nunes para o cargo por causa da experiência que tiveram em 2015 durante a Operação São Francisco, a Força de Pacificação que ocupou o Complexo da Maré, um dos maiores conjuntos de favelas do Rio.
Interventor já perdeu um irmão para a violência do Rio.
Irmão do General foi assassinado no Rio durante assalto em 1984. Ricardo foi morto com dois tiros, um na testa e outro no peito.
O general Braga Netto, conhece de perto a dor da violência carioca. Ricardo Braga Netto, seu irmão, oficial da Marinha, foi assassinado na ponte Rio-Niterói, ao tentar evitar um assalto, quando retornava do quartel da Marinha em Niterói. O fato ocorreu na década de 80, no dia 11 de março de 1984.

Respeitado pela tropa, “durão” e experiente é como colegas definem o general de Exército Walter Souza Braga Netto.
O general ainda reverbera a preocupação das cúpulas de Exército, Marinha e Aeronáutica com o emprego de seus quadros como força de segurança pública, seja pelo tipo de preparo diferenciado do treinamento policial urbano, por lacunas jurídicas ou pelo risco de degradação da tropa. É tido como capaz de reconhecer talentos e limitações próprias e de sua equipe e por não tomar decisões tempestivamente. Prefere ouvir diversas opiniões e está decidido a convocar civis e a academia para traçar planos.
As trocas no comando das polícias Militar e Civil e no Corpo de Bombeiros ainda não ocorreram. Eles serão uma decisão do próximo secretário de Segurança, conforme delegação de Braga Netto. Richard Nunes recebeu um estudo de Estado Maior realizado pelo CML com nomes sugeridos para o comando da PM e a chefia da Polícia Civil. Parte desses faz parte das corporações policiais, e há uma orientação para que se priorize a escolha de militares do Exército, mas ele também pode vir nomear, na secretaria, civis que tenham experiência com a estrutura da segurança.

Braga Netto entrou no Exército em 1974. Em 1994, ainda como major de Cavalaria, apresentou na Escola de Comando e Estado-Maior do Exército (Eceme) uma monografia com propostas sobre como aproveitar melhor o pessoal na carreira militar, com foco nos oficiais. Em uma espécie de prognóstico, dizia que “a sociedade, dentro do enfoque da qualidade total, cada vez mais cobrará da instituição a eficácia na consecução de sua destinação fim” e propunha a especialização, por causa das mudanças tecnológicas. “O militar, em particular, deve ser orientado para a função em que apresente um melhor rendimento em prol da instituição. O Exército do ano 2000 necessitará, mais do que nunca, de uma otimização de seus valores humanos”, escreveu.
Da carreira internacional – foi observador militar das Nações Unidas no Timor Leste, e adido na Polônia e nos Estados Unidos – trouxe a tradição dos militares americanos de trocar e colecionar medalhas. Eles carregam uma espécie de medalhão com o emblema do local onde estão servindo para presentear os visitantes. Braga Netto exibe em seu gabinete a coleção de medalhões que acumulou de diversos países. Quem passa por sua sala, no Palácio Duque de Caxias, costuma ganhar uma do CML, fortaleza de onde pretende continuar despachando. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

A grande mídia tem divulgado sondagens que apontam que a maioria da população carioca apoia a intervenção no Rio. Por outro lado, grande parte dessa mesma opinião pública teria declarado não acreditar que a intervenção dará certo.
Muitas pessoas têm afirmado a importância de não nos colocarmos contrário à intervenção militar no campo da segurança pública que está sendo estabelecida no Rio de Janeiro baseadas no argumento que ela teria apoio popular.
De fato, a grande mídia divulgou sondagens que apontavam que cerca de 80% da população carioca apoia a intervenção. Por outro lado, 40% dessa mesma opinião pública teria declarado não acreditar que a intervenção dará certo.

Antonio Alexandre, Magé|Online.com
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