Ao todo, foram 17 abastecimentos no período analisado pela polícia, com gasto total de R$7.847,00.
Uma investigação da Delegacia Fazendária da Polícia Civil (Delfaz) revelou que um cartão de combustível da Câmara de Vereadores do Rio, que era utilizado pelo gabinete do major bombeiro e vereador Márcio Garcia (Rede), candidato a reeleição, foi usado para abastecer quatro veículos particulares.
Segundo o site da Câmara Municipal, cada vereador do Rio tem direito a receber uma cota de mil litros de gasolina por mês, o que é equivalente a uma quantia de R$ 4.069, levando em conta o preço médio do combustível no município. O abastecimento só pode ser feito em veículos utilizados para cumprir tarefas parlamentares. No entanto, de acordo com um relatório de inquérito assinado pela delegada Renata Araújo dos Santos, da Delfaz, e que será remetido à Justiça nesta quinta-feira, duas Kombis, um celta e um Palio tiveram os abastecimentos pagos com o cartão de combustível da câmara, entre fevereiro de 2015 e abril de 2016.
Segundo a polícia, uma Kombi e um Celta pertencem a uma subtenente do Corpo de Bombeiros e ao marido dela. Os dois, segundo a investigação, seriam ligados ao vereador.
O Palio pertenceria a um funcionário do gabinete de Márcio Garcia e a outra Kombi prestaria serviços a uma ONG também ligada ao parlamentar.
O quatro veículos foram abastecidos em um posto, no bairro de Anchieta, na Zona Norte do Rio. Ao todo, foram 17 abastecimentos no período analisado pela polícia, com gasto total de R$7.847,00.
A mesma investigação revela três funcionárias nomeadas no gabinete foram obrigadas a devolver a maior parte dos salários. Nos contracheques, os valores chegavam até R$13 mil, mas elas só ficavam com valores entre R$ 500 e R$ 1,3 mil. O dinheiro era arrecadado por um bombeiro, que frequentava o gabinete, mas que não trabalhava no local.
Em julho, reportagem entrevistou uma estudante, de 25 anos, que foi lotada no gabinete do parlamentar. Ela denunciou que era obrigada a devolver a maior parte de seu salário. X. também procurou a polícia e relatou o caso na Delegacia Fazendária.
A delegada Renata Araújo dos Santos indiciou um total de 17 pessoas no inquérito. Três bombeiros que não eram lotados no gabinete, mas que frequentavam o local, foram indiciados por associação criminosa e peculato. Caso sejam condenados pela Justiça, eles estarão sujeito a uma pena que varia entre um a 12 anos de prisão.
Treze pessoas, incluindo funcionários e ex-funcionários do gabinete de Márcio Garcia foram indiciados por peculato e em caso de condenação, estarão sujeito a uma pena que varia de dois a 12 anos de prisão. Uma última servidora comissionada, que foi acusada de mentir no depoimento, foi indiciada por crime de falso testemunho. Se for condenada, estará sujeita a uma pena que varia de dois a quatro anos de prisão.
Na conclusão do relatório, a delegada revelou que o vereador não foi investigado por ter foro privilegiado. No entanto, o documento esclarece que há indícios de que o parlamentar tinha conhecimento das práticas criminosas encontradas na investigação.
Por fim, ela sugeriu no relatório que a promotoria de Justiça encaminhe cópia integral do inquérito para a Procuradoria Geral de Justiça, órgão encarregado de investigar parlamentares com foro privilegiado.
O vereador negou todas as acusações feitas pela polícia. Abaixo, a íntegra da nota do parlamentar, que foi enviada a reportagem.
“O vereador Marcio Garcia esclarece que já colocou o sigilo bancário e fiscal à disposição da justiça. Que não tem nenhum controle sobre o que os servidores fazem dos seus salários.
Não recebe e nunca recebeu nenhuma quantia dos mesmos ou qualquer devolução de salários. Que usa a cota de combustível para abastecer os veículos que usa em seu deslocamento, estritamente na atividade parlamentar.
Destaca ainda que reside em um apartamento com 70 m, no bairro de Pilares, financiado pela Caixa Econômica.
Não tem nenhum fato a omitir e está ansioso pela oportunidade de conhecer a acusação, ser ouvido e finalmente se defender, porque até o presente momento somente os jornalistas tiveram acesso ao Inquérito supostamente sigiloso.”
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